sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Candidatos as presidências da câmara e do senado sob suspeita de irregularidades

A candidatura do alagoano Renan Calheiros à presidência do Senado, sem adversários, após a desistência do ex-governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, e do potiguar Henrique Eduardo Alves entre os deputados, mantém a sigla em evidência o PMDB no cenário nacional. Além de ocupar a vice-presidência com Michel Temer, os peemedebistas podem conseguir as duas principais cadeiras do Congresso Nacional.

Por outro lado, ambos enfrentam denúncias na justiça por conta de irregularidades políticas. Renan, quando presidia o senado, pediu afastamento após denúncias de pagamentos de pensão, feita por um lobista, a filha que teve com a jornalista Mônica Veloso, renunciando ao mandato para escapar do processo de cassação. Novamente candidato a presidência da casa, volta a enfrentar acusações, desta vez por crimes ambientais, após a empresa do parlamentar ser responsabilizada pela pavimentação de uma estrada dentro da Estação Ecológica de Murici, em Alagoas.

Assim como o correligionário, Henrique Alves volta a se envolver em escândalos. Em 2002, quando estava cotado para ocupar a vice-presidência na candidatura de José Serra, enfrentava um processo litigioso com a ex-mulher Mônica Infante de Azambuja Alves, foi acusado de possuir contas em paraísos fiscais. Mesmo em plena campanha, volta a enfrentar novas denúncias. A primeira é sobre a contratação de veículos no gabinete e possível favorecimento em emendas parlamentares, e, também, contribuindo financeiramente para empresa de um dos assessores.

Mesmo discursando em favor da moralidade e dos bons valores morais, grande parte dos nossos representantes políticos com mandato enfrentam acusações por atitudes irregulares. Tanto o senado, quanto a câmara dos deputados, sobram maus exemplos.

"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço"

Texto publicado na Revista Olhares, no Facebook


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domingo, 25 de novembro de 2012

Jenson Button vence no Brasil e Sebastian Vettel ganha o título

Britânico venceu corrida marcada por boas disputas e Vettel chega ao tricampeonato

A instabilidade climática contribuiu para as inúmeras disputas, trocas de posições e diferenciadas estratégias de corrida. Na volta de abertura, Vettel foi tocado por Bruno Senna, mas conseguiu voltar a disputa, enquanto o brasileiro, o mexicano Sergio Perez e Romain Grosjean ficaram fora da corrida.

Desde as primeiras voltas, a briga pela liderança ficou entre os pilotos da McLaren. Button ultrapassou Hamilton, que trocou os compostos lisos pelos intermediários, mas não conseguiu vantagem significativa, tendo que voltar aos boxes, retornando em 3º lugar, atrás do colega de equipe e do alemão Nico Hulkenberg, um dos destaques da prova. Com a primeira intervenção do safety car, para retirar pedaços de carro na pista. Com a entrada do carro de segurança, o competidor da Force India imprimiu um ritmo forte, passando Button e assumindo a liderança, e, algumas voltas a seguir, Hamilton pulou para o 2º posto, alcançando Hulkenberg a ganhando a liderança, mas um erro do alemão tirou o inglês da disputa. O alemão teve que passar pelos boxes como punição, caindo para a 5ª posição, mas recuperou o lugar de Webber, ficando atrás da dupla da Ferrari. Alonso não teve dificuldades de alcançar e passar Felipe Massa, mas a dupla da escuderia italiana não foi páreo para o time de Woking, que salvou o dia com a vitória de Button.

Apesar das dificuldades, Vettel fez várias ultrapassagens e uma boa corrida de recuperação, conseguindo um resultado suficiente para ser campeão pelo terceiro ano consecutivo, feito conseguido apenas por Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. Após a última troca, o jovem alemão ultrapassou Schumacher e chegou ao 6º lugar.

A Mercedes, sem pontuar há cinco etapas, voltou aos pontos com a 7ª colocação de Schumacher, que se despediu da Fórmula 1. Kobayashi, sem lugar garantido para a próxima temporada, foi o 8º, a frente do francês Jean-Eric Vergne e do finlandês Kimi Raikkonen, que fechou a zona de pontuação, ficando em 3º lugar entre os pilotos.

Resultados:
Pole: Lewis Hamilton, McLaren Mercedes
Melhor Volta: Lewis Hamilton, McLaren Mercedes

Corrida
1º) Jenson Button, McLaren Mercedes
2º) Fernando Alonso, Ferrari
3º) Felipe Massa, Ferrari
4º) Mark Webber, Red Bull Renault
5º) Nico Hulkenberg, Force India Mercedes
6º) Sebastian Vettel, Red Bull Renault
7º) Michael Schumacher, Mercedes
8º) Kamui Kobayashi, Sauber Ferrari
9º) Jean-Eric Vergne, Toro Rosso Ferrari
10º) Kimi Raikkonen, Lotus Renault

Classificação

Mundial de Pilotos
1º) Sebastian Vettel, 281 pontos
2º) Fernando Alonso, 278 pontos
3º) Kimi Raikkonen, 209 pontos
4º) Lewis Hamilton, 190 pontos
5º) Jenson Button, 188 pontos
6º) Mark Webber, 179 pontos
7º) Felipe Massa, 122 pontos
8º) Romain Grosjean, 96 pontos
9º) Nico Rosberg, 93 pontos
10º) Sergio Perez, 66 pontos
11º) Nico Hulkenberg, 63 pontos
12º) Kamui Kobayashi, 62 pontos
13º) Michael Schumacher, 49 pontos
14º) Paul Di Resta, 46 pontos
15º) Pastor Maldonado, 45 pontos
16º) Bruno Senna, 31 pontos
17º) Jean-Eric Vergne, 14 pontos
18º) Daniel Ricciardo, 10 pontos

Mundial de Construtores
1º) Red Bull Renault, 460 pontos
2º) Ferrari, 400 pontos
3º) McLaren Mercedes, 378 pontos
4º) Lotus Renault, 303 pontos
5º) Mercedes, 142 pontos
6º) Sauber Ferrari, 128 pontos
7º) Force India Mercedes, 111 pontos
8º) Williams Renault, 76 pontos
9º) Toro Rosso Ferrari, 24 pontos

domingo, 18 de novembro de 2012

Lewis Hamilton vence nos Estados Unidos


Inglês supera Vettel nas voltas finais e decisão do título vai para o Brasil na próxima semana

Largando na pole, Sebastian Vettel contou com a ajuda do colega de equipe Mark Webber na largada, que conseguiu superar Hamilton na primeira curva, mas foi ultrapassado pelo inglês ainda nas voltas iniciais, desistindo da disputa com problemas no carro. Com isso, aproximou-se do competidor da Red Bull, conseguindo alcançar a liderança na parte final da corrida, mantendo uma pequena vantagem sobre o alemão. A McLaren conseguiu ganhar novamente, e com a recuperação de Jenson Button, fazendo diversas ultrapassagens e optando por uma estratégia diferente dos adversários, voltou em 7º lugar, superando as Lotus de Romain Grosjean e Kimi Raikkonen, garantindo a 5ª colocação. Felipe Massa, após a polêmica troca de câmbio da Ferrari, visando beneficiar o espanhol Alonso, também mostrou um bom desempenho, mais uma vez disputando com o ex-colega dos tempos de Maranello, chegando atrás do espanhol, que completou o pódio.

Nas posições intermediárias, também tiveram muitas ultrapassagens e boas disputas. A Mercedes voltou a decepcionar. O time alemão ainda conseguiu levar Michael Schumacher ao 5º posto no grid, mas o carro não consegue manter o desempenho ao longo das voltas. Os carros prateados vão para a quinta corrida sem somar pontos. Nico Hulkenberg voltou a andar bem e somar pontos, superando novamente o companheiro Paul Di Resta, segurando a pressão de Pastor Maldonado nas voltas finais. Bruno Senna somou o último ponto, superado pelo venezuelano, ainda conseguiu, pela terceira vez consecutiva, cruzar a linha de chegada entre os 10 melhores.

Resultados:
Pole: Sebastian Vettel, Red Bull Renault
Melhor Volta: Sebastian Vettel, Red Bull Renault

Corrida
1º) Lewis Hamilton, McLaren Mercedes
2º) Sebastian Vettel, Red Bull Renault
3º) Fernando Alonso, Ferrari
4º) Felipe Massa, Ferrari
5º) Jenson Button, McLaren Mercedes
6º) Kimi Raikkonen, Lotus Renault
7º) Romain Grosjean, Lotus Renault
8º) Nico Hulkenberg, Force India Mercedes
9º) Pastor Maldonado, Williams Renault
10º) Bruno Senna, Williams Renault

Classificação

Mundial de Pilotos
1º) Sebastian Vettel, 273 pontos
2º) Fernando Alonso, 260 pontos
3º) Kimi Raikkonen, 208 pontos
4º) Lewis Hamilton, 190 pontos
5º) Mark Webber, 167 pontos
6º) Jenson Button, 163 pontos
7º) Felipe Massa, 107 pontos
8º) Romain Grosjean, 96 pontos
9º) Nico Rosberg, 93 pontos
10º) Sergio Perez, 66 pontos
11º) Kamui Kobayashi, 58 pontos
12º) Nico Hulkenberg, 53 pontos
13º) Paul Di Resta, 46 pontos
14º) Pastor Maldonado, 45 pontos
15º) Michael Schumacher, 43 pontos
16º) Bruno Senna, 31 pontos
17º) Jean-Eric Vergne, 12 pontos
18º) Daniel Ricciardo, 10 pontos

Mundial de Construtores
1º) Red Bull Renault, 440 pontos
2º) Ferrari, 367 pontos
3º) McLaren Mercedes, 353 pontos
4º) Lotus Renault, 302 pontos
5º) Mercedes, 136 pontos
6º) Sauber Ferrari, 124 pontos
7º) Force India Mercedes, 99 pontos
8º) Williams Renault, 76 pontos
9º) Toro Rosso Ferrari, 21 pontos

domingo, 4 de novembro de 2012

Kimi Raikkonen vence em Abu Dhabi


Finlandês volta ao topo do pódio depois de três anos

Em corrida bastante movimentada, com duas entradas de safety-car, o competidor da Lotus aproveitou os problemas de Lewis Hamilton, que desistiu, com problemas no carro, para alcançar a liderança da corrida e manter-se na dianteira até a bandeirada final.

Largando na 4ª colocação, superou Maldonado e Webber ainda na primeira curva, mas não conseguiu acompanhar Hamilton, que liderou com tranquilidade até desistir da disputa. Atrás do nórdico, os pilotos da Williams e Red Bull também foram superados pela Ferrari de Alonso, e mais tarde, por Jenson Button, que aproveitou-se da rodada do australiano e algumas voltas após, ultrapassou o venezuelano.

Punido por não possuir a quantidade mínima de combustível para as amostragens após os treinos de classificação, Sebastian Vettel saiu da última colocação, e fez uma grande corrida de recuperação, saindo do último posto. Enfrentou alguns toques, mas com as intervenções do carro de segurança, ganhou tempo precioso, principalmente na segunda oportunidade, quando a distância de Jenson Button foi reduzida, podendo superar o inglês, faltando duas voltas para o término da corrida, garantindo o último lugar no pódio.

Em atuações regulares, Maldonado e Kobayashi terminaram atrás do piloto da McLaren, e a frente da dupla brasileira, com Felipe Massa a frente de Bruno Senna. Na classificação, o ferrarista ganhou duas posições, passando Romain Grosjean e Nico Rosberg, que ficaram pelo caminho, após envolverem-se em acidentes.

Fechando a zona de pontuação, o escocês Paul Di Resta, da Force India, e o australiano Daniel Ricciardo, da Toro Rosso. Michael Schumacher chegou perto, mas com um pneu furado, teve que ir aos boxes, ainda na segunda passagem do safety-car, terminando apenas na 11ª colocação.

Resultados:
Pole: Lewis Hamilton, McLaren Mercedes
Melhor Volta: Sebastian Vettel, Red Bull Renault

Corrida
1º) Kimi Raikkonen, Lotus Renault
2º) Fernando Alonso, Ferrari
3º) Sebastian Vettel, Red Bull Renault
4º) Jenson Button, McLaren Mercedes
5º) Pastor Maldonado, Williams Renault
6º) Kamui Kobayashi, Sauber Ferrari
7º) Felipe Massa, Ferrari
8º) Bruno Senna, Williams Renault
9º) Paul Di Resta, Force India Mercedes
10º) Daniel Ricciardo, Toro Rosso Ferrari

Classificação

Mundial de Pilotos
1º) Sebastian Vettel, 255 pontos
2º) Fernando Alonso, 245 pontos
3º) Kimi Raikkonen, 198 pontos
4º) Mark Webber, 167 pontos
5º) Lewis Hamilton, 165 pontos
6º) Jenson Button, 153 pontos
7º) Felipe Massa, 95 pontos
8º) Nico Rosberg, 93 pontos
9º) Romain Grosjean, 90 pontos
10º) Sergio Perez, 66 pontos
11º) Kamui Kobayashi, 58 pontos
12º) Nico Hulkenberg, 49 pontos
13º) Paul Di Resta, 46 pontos
14º) Pastor Maldonado, 43 pontos
15º) Michael Schumacher, 43 pontos
16º) Bruno Senna, 30 pontos
17º) Jean-Eric Vergne, 12 pontos
18º) Daniel Ricciardo, 10 pontos

Mundial de Construtores
1º) Red Bull Renault, 422 pontos
2º) Ferrari, 349 pontos
3º) McLaren Mercedes, 318 pontos
4º) Lotus Renault, 288 pontos
5º) Mercedes, 136 pontos
6º) Sauber Ferrari, 116 pontos
7º) Force India Mercedes, 93 pontos
8º) Williams Renault, 59 pontos
9º) Toro Rosso Ferrari, 21 pontos

domingo, 28 de outubro de 2012

Sebastian Vettel vence na Índia


Piloto da Red Bull ganha a quarta consecutiva e amplia vantagem para Alonso na classificação

Em corrida pouco movimentada nas primeiras posições, as principais disputas aconteceram no bloco intermediário, entre Sauber, Mercedes e Williams, pelas últimas colocações da zona de pontuação.

Entre os líderes, o destaque foi Fernando Alonso, que conseguiu largar bem e fazer uma primeira volta bem disputada com a dupla da McLaren, em que os três pilotos emparelharam e tiveram uma grande disputa, com Button ficando a frente do espanhol e do colega Hamilton, sendo superado por ambos voltas mais tarde, seguidos por Felipe Massa e Kimi Raikkonen. O finlandês, em mais uma atuação regular, andou a corrida inteira próximo do brasileiro, mas não conseguiu superar o ex-companheiro de equipe, chegando no 7º posto.

Após as trocas de pneus, Alonso aproximou-se de Webber e superou o australiano, ganhando a 2ª colocação, enquanto Hamilton conseguiu se aproximar, mas sem tempo de ultrapassar o competidor da Red Bull. Outra disputa envolveu Jenson Button e Romain Grosjean, que foi o último dos líderes a ir aos boxes. O britânico chegou a colocar de lado, mas sem concluir a manobra, ficando com a 5ª posição apenas quando o francês parou nos boxes, fazendo a melhor volta da corrida.

A dupla brasileira conseguiu sair da Índia com pontos. Massa foi 6º colocado, segurando a pressão de Raikkonen, e Bruno Senna, em 10º, somou um ponto. Outro destaque foi o alemão Nico Hulkenberg, levando o Force India ao 8º lugar.

Novamente, as decepções foram Sauber e Mercedes. Michael Schumacher teve um toque com um Toro Rosso ainda na volta de abertura, caindo para o último lugar, assim como Sergio Perez, que vinha com boas chances de pontuar, abandonando a disputa. Nico Rosberg, superado por Bruno Senna, foi apenas o 11º colocado. Kobayashi, em atuação discreta, ficou apenas em 14º lugar.

Resultados:
Pole: Sebastian Vettel, Red Bull Renault
Melhor Volta: Jenson Button, McLaren Mercedes

Corrida
1º) Sebastian Vettel, Red Bull Renault
2º) Fernando Alonso, Ferrari
3º) Mark Webber, Red Bull Renault
4º) Lewis Hamilton, McLaren Mercedes
5º) Jenson Button, McLaren Mercedes
6º) Felipe Massa, Ferrari
7º) Kimi Raikkonen, Lotus Renault
8º) Nico Hulkenberg, Force India Mercedes
9º) Romain Grosjean, Lotus Renault
10º) Bruno Senna, Williams Renault

Classificação

Mundial de Pilotos
1º) Sebastian Vettel, 240 pontos
2º) Fernando Alonso, 227 pontos
3º) Kimi Raikkonen, 173 pontos
4º) Mark Webber, 167 pontos
5º) Lewis Hamilton, 165 pontos
6º) Jenson Button, 141 pontos
7º) Nico Rosberg, 93 pontos
8º) Romain Grosjean, 90 pontos
9º) Felipe Massa, 89 pontos
10º) Sergio Perez, 66 pontos
11º) Kamui Kobayashi, 50 pontos
12º) Nico Hulkenberg, 49 pontos
13º) Paul Di Resta, 44 pontos
14º) Michael Schumacher, 43 pontos
15º) Pastor Maldonado, 33 pontos
16º) Bruno Senna, 26 pontos
17º) Jean-Eric Vergne, 12 pontos
18º) Daniel Ricciardo, 9 pontos

Mundial de Construtores
1º) Red Bull Renault, 407 pontos
2º) Ferrari, 316 pontos
3º) McLaren Mercedes, 306 pontos
4º) Lotus Renault, 255 pontos
5º) Mercedes, 136 pontos
6º) Sauber Ferrari, 116 pontos
7º) Force India Mercedes, 93 pontos
8º) Williams Renault, 59 pontos
9º) Toro Rosso Ferrari, 21 pontos

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Fontes de pesquisa

Livros:

Celestino Sachet e Sérgio Sachet: O Contestado
Elio Serpa: A Guerra do Contestado (1912-1916)
Guido Wilmar Sassi: Geração do Deserto
Walter Tenório Cavalcanti: Guerra do Contestado

Entrevistas:

Celso Martins (Jornalista e Historiador)
Dario Prado Junior (Fotógrafo e Jornalista)
Esperidião Amin (Professor universitário e Ex-governador)
Gilead Mauricio (Administrador e Jornalista)
Paulo Roberto Hapner (Advogado e Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná)
Vicente Telles (Museu do Contestado)

Internet:

Brasil, 1912: A Guerra dos Pelados
Disponível em:
Acesso: em 19 ago. 2012

Brasil Escola: Guerra do Contestado
Disponível em:
Acesso em: 19 ago. 2012

Contestado: A guerra desconhecida (Cangablog)
Disponível em:
Acesso em: 7 out. 2012

Guerra do Contestado (Dicas grátis na Net)
Disponível em:
Acesso em: 7 out. 2012

História da Ferrovia do Contestado (Vida Dmaquinista)
Disponível em:
Acesso em: 7 out. 2012

Histoire du Brésil: Guerra do Contestado
Disponível em:
Acesso em: 19 ago. 2012

Infoescola: Guerra do Contestado
Disponível em:
Acesso em: 19 ago. 2012

Wikipédia: A Guerra dos Pelados
Disponível em:
Acesso em: 19 ago. 2012

Wikipédia: Manoel da Silva Mafra (Conselheiro Mafra)
Disponível em:
Acesso em: 7 out. 2012

Vídeos:

A Guerra dos Pelados: Sylvio Back

Contestado: A guerra desconhecida: Dario de Almeida Prado Junior e Sergio Rubim (Canga)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Gilead Mauricio


Gilead Mauricio
Foto: Diego Wendhausen Passos

Gilead Mauricio é formado em Administração, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá, de Santa Catarina. Atua como trabalhador autônomo.

Data da entrevista: 15/08/2012

Diego: Como surgiu a ideia de realizar o trabalho sobre a Guerra do Contestado?

Gilead: Durante a faculdade de Jornalismo, eu tinha a ideia de fazer o trabalho sobre o Contestado, realizando um mapeamento, por que eu gostava muito do tema, achava interessante, mas da mesma forma lia sobre o assunto, não entendia onde foi o evento, em que lugar aconteceu, como são aqueles lugares atualmente. Eu tentava analisar, mas ficava meio distante, não dava para ligar com a realidade, queria fazer um mapeamento, ver como é hoje, como estão esses locais, se há descendentes dos caboclos. Buscava pesquisar isso, eu não encontrava nos livros. As publicações que pesquisei eram boas, muitas delas interessantes, mas não conseguiam situar o leitor dentro do evento guerra do Contestado. Vou fazer sobre isso, escrever um livro, e o Trabalho de Conclusão de Curso foi o primeiro passo. Faço ele como trampolim para depois fazer o livro.

Diego: Quais foram as principais dificuldades para a realização do trabalho?

Gilead: A primeira, a distância. Daqui até Caçador são 400 quilômetros. Tem que se ausentar daqui para ir até a região. Segundo, é encontrar os locais onde houveram os conflitos, diferente de Canudos, por exemplo, ocorrida em um lugar, a guerra do Contestado teve diversos palcos. Você vai encontrar em um raio de 100 quilômetros, de Caçador, você vai passar por vários lugares onde houveram confrontos, visando situar esses lugares, esquecidos hoje. Tinha que procurar um historiador que conheceu aquela região, para saber onde ficavam os antigos redutos. Isso é difícil de encontrar, e aproveitei para fazer um mapeamento e no meu livro falo onde ficam esses lugares, para facilitar o leitor, por que não sabia onde eram. Precisei ler bastante, conversar com muitos historiadores, que sabiam onde ficava o lugar, mas também há vários que não sabem onde fica. Eles escreveram, mas não sabem onde se situa, onde ficam aqueles locais. É difícil encontrar aqueles locais. Em lugares como Timbó Grande, por exemplo, é muito difícil de chegar, mais complicado de encontrar.

Diego: Em relação as fontes de pesquisa, o material é fácil de encontrar ou a quantidade é pequena?

Gilead: O material é fácil. As primeiras fontes de pesquisa foram os livros, publicados hoje. Alguns deles não tem mais a venda, por isso necessitei procurar, fazer uma cópia, porque você não encontra. Alguns deles são impossíveis, livros raros e você não encontra. Os primeiros escritos dos militares, no início do século passado, depois da guerra, muitos não existem mais. Se você consegue um exemplar desses, é o único jeito é fazer uma cópia. Os livros, muitos estão acessíveis. Outros mais difíceis tem que correr atrás, mas se o pesquisador quiser saber mais, tem os museus. Se a pessoa chegar hoje, no museu do Contestado, é bem atendido. Outra fonte são os historiadores. Do tema, que pesquisam sobre o conflito. Todos eles são acessíveis. Acho que o historiador do evento quer passar a ideia, que as pessoas entendam e eles querem vender a ideia do Contestado. Eles não se furtam a dar a informação, furtam a sentar com você uma ou duas horas para falar sobre o assunto para explicar, e, percebendo que você está fazendo um trabalho sério, eles vão sentar contigo. Todos eles foram muito solícitos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Dario de Almeida Prado Junior


Dario Prado Junior e Sérgio Rubim (Canga)
Foto: Diego Wendhausen Passos

Dario de Almeida Prado Junior é jornalista e fotógrafo. Trabalhou nas revistas Veja, Visão, Jornal O Estado, Jornal da Bahia, foi colaborador do Jornal Afinal. Atualmente atua como fotógrafo e taxista.

Data da entrevista: 08/08/2012

Diego: Como surgiu a ideia de produzir um material sobre a guerra do Contestado?

Dario: Em 1984, no governo de Esperidião Amin, o Sérgio Rubim (Canga), o Jurandir Pires de Camargo, e eu, Dario de Almeida Prado Junior, apresentamos um projeto para o governador, para fazer um documentário sobre a guerra do Contestado. A ideia era viajar pelo estado, buscar os remanescentes do conflito e registrar entrevistas com eles, que nós fizemos no período de 1984 e 1985. No final do ano de 1985, nós tínhamos rodado 30 mil quilômetros, encontrado alguns sobreviventes, e com eles realizamos as gravações propostas, e lançamos um documentário de 56 minutos de duração, chamado de Contestado: a guerra desconhecida. O título deve-se ao fato de que se tratava de um conflito acontecido no Brasil, praticamente na região hoje compreendida pelo estado de Santa Catarina, e que tem uma importância muito grande na história brasileira.

Diego: Pegando o final do período militar, e já o período pós-ditadura, ainda pegando o período de censura, de transição do período de repressão para abertura política, vocês chegaram a enfrentar alguma dificuldade para publicação dos materiais?

Dario: Na publicação não, mas quando fizemos em 1984 e 1985, ainda era ditadura, no governo do general João Baptista Figueiredo, aquele que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, e nós não podemos, não pensamos e nem conseguimos nenhum contato para fazer uma pesquisa nos arquivos do exército, por exemplo. Essa dificuldade houve. Para veiculação do material, não. Nós participamos inclusive de uma mostra de filmes que se abordavam a questão da posse da terra no Brasil, em um evento promovido pela Unicamp, e acabamos ganhando um prêmio especial do júri, pelo nosso trabalho, eles ficaram com uma cópia nos arquivos da universidade, e foi muito positivo para nós.

Diego: E com relação aos materiais, teve bastantes dificuldades ou na época o material era vasto, de fácil pesquisa?

Dario: Não era de fato pesquisa. Viajamos muito e encontramos muita gente que não quis falar, sentiram-se intimidadas, passados 60 anos do conflito, por terem sido os perdedores, na sua maioria. Nós entrevistamos apenas os soldados, os outros foram revoltosos, ou ligados ao grupo, e como eles eram os perdedores, são vistos como os monstros da guerra, então eles se sentiam intimidados em fazer entrevista, mas muitos foram mais generosos, compreensivos e nós conseguimos produzir o vídeo.

domingo, 21 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Vicente Telles


Vicente Telles
Foto: Diego Wendhausen Passos

Vicente Telles trabalha no museu do Contestado, no município de Irani

Data da entrevista: 03/08/2012

Diego: Que viés tem o Contestado? Quais são eles?

Vicente: Eu entendo que o Contestado tem três vieses fundamentais: a informação, importantíssima base, fundamental para o conhecimento genérico da história, é o corpo que engloba ele. Agora, tem o outro viés, o da deformação. Quer dizer a coisa errada, são as pessoas que exploram a causa em favor próprio, e não a causa pela causa. Nós precisamos obter os sentimentos. O cidadão que escreve, às vezes, por conveniência, para ele, e não pela causa. Seriam os estelionatários da história, que estão buscando querer ganhar dinheiro em cima da história. Então, eu digo, viés é a informação, tem outro viés, da deformação, o que eu acabei de falar, e o da formação, ensinando os exemplos de coragem e de bravura dos caboclos do Contestado contra a opressão. Esses são exemplos que eu enfatizo em minhas palestras para alunos que recebo no meu memorial, semanalmente, de vários pontos do estado, do Paraná, do Rio Grande, de Santa Catarina, e com o incentivo, estimo eles e sentirem essa vibração de catarinismo que não temos. Não temos identidade. Temos visto isso em Santa Catarina, e nenhuma delas, isoladamente, ou em conjunto, representa nossa identidade. Ela está na alma do caboclo.

Diego: Quais foram os principais impactos do conflito do Contestado para a região do meio oeste catarinense? Impactos sociais?

Vicente: Eu diria o seguinte, que a invasão de um território, as raízes que eram um paraíso, você acuado na toca, é o primeiro impacto, o mais violento e o mais agressivo. Esse, para mim, foi o primeiro impacto. E a partir disso, a guerra toma-se um encadeamento maior, sobretudo, momentaneamente positivos, e às vezes, negativos, mas eles, havendo de forma positiva ou negativa em todo o decorrer da guerra. Quais seriam eles? Da derrota, da esperança, quando vence uma batalha, não sabendo destino que vai dar aos seus filhos ou a sua família, a indignação de ver a exploração pelo poder econômico estrangeiro e brasileiro somados dentro do plano de corrupção, para tomar o espaço de todos. Tudo isso foi uma sequência de impactos, que não se pode ter em um ou em outro sem poder analisar em conjunto de todos eles.

Diego: E qual a importância do Contestado para a região meio oeste?

Vicente: A importância seria hoje a do resgate, porque é uma desimportância, ela foi uma guerra agressiva, fratricida entre irmãos, e tudo que ocorre assim, conflitos entre irmãos, se não serve para humanizar, não tem sentido de ser estimada. Mas para essa região, a importância é ser resgatada com dignidade, criando um sentimento em torno da história, e transformá-la em ímã de atração turística e sustentável.

sábado, 20 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Celso Martins


Celso Martins
Foto: Diego Wendhausen Passos

Celso Martins é jornalista e historiador, trabalhando atualmente no site Daqui na Rede

Data da entrevista: 08/08/2012

Diego: Habitantes da região há décadas, muitos dos moradores perderam as terras que ocupavam para a empresa que ficou responsável pela construção da estrada de ferro. Como se deu esse processo?

Celso: Não foi apenas a estrada de ferro que despejou os caboclos. Quando as terras começaram a ganhar valor para a colonização, a extração de madeira, começou o processo de expulsão dos caboclos das terras. Ela, até então, tinha valor de uso, os caboclos usavam, ficavam um tempo e migravam para outra. Quando ganha valor de mercado, é que se dá o conflito, o rompimento social que havia ali, rompendo o equilíbrio social que havia no sertão. Não foi apenas a ferrovia. Foi um ingrediente, porque houve o combate do Irani sem a presença da estrada de ferro, e sim por causa do problema da posse da terra.

Diego: Área disputada pelos estados do Paraná e de Santa Catarina desde o início da república, devido a exploração das riquezas da região, sendo o local de funcionamento da estrada de ferro, gerando os conflitos e lutas políticas e sociais. O que gerou esse conflito?

Celso: Foi exatamente o que fermentou a tensão, levando a ruptura, da ordem institucional, do próprio levante dos sertanejos, foi exatamente a posse da terra, a questão da terra. Eles foram preteridos em função de um processo “civilizador” da república, que em um primeiro momento passou as terras da união para a mão dos estados, isso já na proclamação da república, ou seja, na mão dos governos republicanos como moeda de negociação, de manutenção do poder político e de barganhas, e sem considerar a presença dessas populações, que não estavam no projeto republicano.