quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Novembrada: Reportagem especial
Chico Buarque: Apesar de você
Andrio Cardoso Pereira: A Novembrada de 1979
Novembrada: 30 anos depois
30/11/2009: Texto Novembrada 30 anos depois
Um resumo sobre os acontecimentos no dia 30/11/1979
01/12/2009: Censura x Liberdade de expressão
Os debates em torno das liberdades democráticas
02/12/2009: Entrevista com Marize Lippel
Marize conta sobre como era a realidade florianopolitana, os acontecimentos e as questões em torno da democracia atual
03/12/2009: Entrevista com Rosângela de Souza
Lelê analisa os acontecimentos e analisa as questões sociais e democráticas no Brasil
04/12/2009: Entrevista com Geraldo Barbosa
Geraldo destaca das mudanças sociais e políticas que o país necessitava e quais ainda precisam
05/12/2009: Entrevista com Lígia Giovanella
Lígia lembra do trabalho como vice-líder estudantil e analisa a questão da censura há 30 anos e na atualidade
06/12/2009: Entrevistas com Nelson Maurílio Coelho Junior e Marco Antônio Mattos
Nelson relata sobre o tema, e Marco Antônio, da experiência como integrante do exército na época
07/12/2009: Entrevistas com Moacir Pereira e César Valente
Um relato da visão dos jornalistas Moacir Pereira e César Valente sobre a Novembrada
08/12/2009: Entrevistas com Sérgio Rubim e Jurandir Camargo
Ambos falam da cobertura que fizeram pelo Jornal O Estado, veículo que trabalhavam
09/12/2009: Entrevista com Walter Souza
Walter Souza fala da cobertura que fez pela RBS TV, onde atuava como repórter
10/12/2009: Entrevista com Valter Severino
Valter lembra o trabalho que realizou pela equipe segurança do governo
11/12/2009: Entrevista com Celso Martins
Celso faz uma análise do período de repressão, Operação Barriga-Verde e Novembrada, comparando aquele período com a atualidade
12/12/2009: Entrevista com Ana Carla Pimenta
A jornalista fala do Trabalho de Conclusão de Curso sobre o tema e do interesse em transformar o projeto em documentário
13/12/2009: Perfil de Amilton Alexandre
Um olhar sobre o Mosquito, envolvido na Novembrada e atual titular do Blog Tijoladas
terça-feira, 30 de novembro de 2010
O presidente decidiu resolver no braço
A festa promovida pelos governistas, a placa em homenagem ao tirano Floriano Peixoto, que por pressão nomeou a antiga Nossa Senhora do Desterro para “Cidade de Floriano”, nossa capital Florianópolis, além de ter dizimado a vida de centenas de catarinenses no Massacre do Anhatomirim, no fim do século XIX.
Para homenagear o “marechal de ferro”, o governo estadual colocou uma placa em memória ao militar que ceifou dezenas de catarinenses. As medidas tomadas nos dias anteriores serviram para esquentar os ânimos da população, insatisfeita com as dificuldades enfrentadas muito em virtude do sombrio sistema que havia sido imposto 15 anos antes.
Uma cidade então pouco conhecida no cenário nacional estava pronta para receber a visita do último presidente militar, da abertura lenta e gradual promovida anos antes. Um homem mal hurado, antipático e turrão estava a caminho do Palácio do Governo, atual Museu Cruz e Souza, para as solenidades que anunciavam a vinda da Sidersul, que seria instalada em Imbituba, além das festividades de 90 anos da Proclamação (golpe) Republicana.
O esquema de segurança estava formado, os manifestantes fazendo suas reivindicações, mas os gritos começaram a abafar o discurso do então governador foi o ponta pé inicial para toda a confusão. Irritado com a “balbúrdia”, o general Figueiredo foi a sacada e fez dois gestos, um acusando de “pequenos” os opositores, e mandando o time do contra às favas, provocando a ira dos protestantes.
A partir daí, só confusão. Ao ouvir insultos contra sua progenitora, Figueiredo desceu as escadarias da casa rosada para resolver no tapa a situação, partindo para a ignorância. Uma confusão generalizada, briga de rua, entre cidadãos comuns e integrantes governistas marcaram a vida de Florianópolis, quase provocando uma tragédia.
Na busca dos “responsáveis” pelo ato, sete estudantes foram presos e processados pela antiga Lei de Segurança Nacional. Com o apoio da população, Adolfo Luiz Dias, Lígia Giovanella, Rosângela de Souza (Lelê), Marize Lippel, Geraldo Barbosa, Amilton Alexandre (Mosquito) e Newton Dias Vasconcelos foram absolvidos em fevereiro de 1981.
Dos sete, apenas Adolfo é falecido. Com exceção de Newton Vasconcellos, os jovens idelistas “culpados” pela situação continuam envolvidos na luta por uma sociedade mais justa. Mosquito é o mais conhecido, devido ao polêmico Tijoladas e seus excessos verbais contra os desafetos e ex-amigos. Geraldo e Lelê continuam nos movimentos sociais, Lígia optou pelos estudos acadêmicos e Marize trabalha na área de saúde.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Censura x Liberdade de Expressão
A Novembrada foi um marco histórico para Florianópolis, tanto em nível regional como nacional. Em novembro, completará 30 anos do acontecimento de uma das maiores manifestações populares na capital, dando à cidade um destaque nunca visto na mídia até então, o que contribuiu para o fim do período militar e uma nova ordem política no Brasil. Com o retorno do sistema democrático em 1985 e a nova Constituição, três anos depois, os brasileiros ganharam direitos antes controlados pelo poder público, na teoria. Mas a questão, na prática, fica em torno da liberdade democrática, diante de casos como a Revolta da Catraca em 2004, quando estudantes protestaram contra o constante aumento nas tarifas de ônibus.
Lideranças estudantis envolvidas diretamente na Novembrada em 1979, quando foram presas e enquadradas na antiga Lei de Segurança Nacional, Marize Lippel e Rosângela de Souza (Lelê) destacam as conquistas e direitos democráticos adquiridos na Constituição de 1988, embora o poder público e veículos de comunicação divulguem apenas os interesses particulares e interfiram em alguns casos, noticiando conteúdos que não comprometam determinados grupos ou empresas.
Marize recorda que havia uma cultura do silêncio no país imposta pelos representantes políticos, e a maioria das manifestações contra o governo. Os movimentos eram promovidos por estudantes universitários, ligados a grupos estudantis. Embora a Novembrada tenha contribuído para termos maior liberdade e participação na sociedade atual, a grande mídia ainda controla as informações. “Eles publicam aquilo que é de interesse da empresa”, diz Marize, destacando a participação jornalística da Folha de São Paulo como um ícone na defesa dos Direitos Humanos e Políticos na época dos militares, mas atualmente o jornal paulista defende e transmite as ideias que interessam ao veículo.
Para Rosângela, as conquistas no campo das liberdades individuais ocorreram, porém as classes menos favorecidas são pouco respeitadas nos seus direitos como cidadão. “As conquistas são inegáveis, embora o aparelho repressor do estado burguês brasileiro esteja mais ativo que nunca”, aponta, destacando os casos da greve dos motoristas no governo Paulo Afonso (estadual) e Ângela Amin (municipal) e o movimento do passe livre na gestão de Luis Henrique (estadual) e Dário Berger (municipal). De acordo com Lelê, no campo político os métodos agressivos raramente são utilizados, mas, ao invés de reprimir os movimentos sociais, o poder público utiliza a mídia para criminalizá-los.
Mesmo sem a censura prévia do estado, muitas informações são controladas na mídia. O jornalista Moacir Pereira afirma que, mesmo com a plena liberdade de informação, as restrições permanecem e são ditadas normalmente pelo poder econômico e pela ação política. "O pluralismo da mídia é alicerce fundamental para manter e aprimorar o estado democrático de direito", conclui.
César Valente diz que a democracia é o embate das várias forças que tentam se impor, e a liberdade de expressão no país depende da obediência à Constituição e outras leis. De acordo com César, as informações são divulgadas pelos interessados, citando os casos de paralisação no transporte de ônibus como pressão política, servindo como causa de ressonância dos grupos melhor organizados.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Novembrada: 30 anos depois
A revolta popular que mexeu com Florianópolis
Passados 30 anos da Novembrada, movimento que contribuiu para o fim do regime militar em 1985, quando o país voltou a ser administrado pelos civis e a sociedade brasileira obteve os direitos democráticos com a constituição de 1988 com a volta das eleições diretas para presidente em 1989.
Implantado em 1964, o período ditatorial foi marcado pela perda dos direitos de liberdade de expressão e de imprensa. O Presidente da República era escolhido através de votos de deputados federais e senadores. Milhares de pessoas foram mortas por defenderem uma sociedade justa e democrática, diante da Lei de Segurança Nacional. A partir de 1973, com a crise do petróleo, o “Milagre Econômico” caiu por terra.
João Baptista Figueiredo assumiu a presidência em 1979, ano em que também marcou a Anistia a muitos presos políticos e o pluripartidarismo, possibilitando a criação de novas agremiações partidárias. Mas, as condições econômicas e sociais eram desfavoráveis para grande parte da população. No mês de novembro, foi agendada a visita de Figueiredo a Florianópolis, para divulgar a construção da Sidersul (Siderúrgica do Sul), em Imbituba e prestar uma homenagem ao Marechal Floriano Peixoto pelos 90 anos da república, contrariando diversas pessoas e escritores da capital, já que o militar foi o responsável pelo massacre do Anhatomirim em 1894, durante a Revolução Federalista. Durante a semana da visita, o reajuste no preço dos combustíveis aumentou a insatisfação popular contra o governo, tornando mais tenso o ambiente.
No dia 30, sexta-feira, a expectativa era grande, pela primeira vez um representante da nação visitara Florianópolis. Um carro oficial conduziu Figueiredo do Aeroporto até o Palácio Rosado, no centro da cidade. Durante o trajeto mulheres batiam panelas pedindo comida. Nas solenidades, algumas crianças cantavam “Figueiredo, Figueiredo”. Jorge Bornhausen, então governador de Santa Catarina, iniciou os discursos e logo foi vaiado pelos funcionários públicos. Rosângela de Souza conta que Bornhausen foi chamado de mentiroso pelos estatutários, dando início ao tumulto. O esforço dos palacianos foi em vão, as palavras de ordem aumentavam sob “chega de sofrer, o povo quer comer”, irritando Figueiredo. Ao aparecer na sacada, fez um sinal com o dedo polegar e o indicador, depois classificou os revoltosos como “um pingo de gente”. Como a maioria interpretou seu gesto como obsceno, começaram a ofendê-lo.
Ao escutar sua mãe sendo insultada, Figueiredo, extremamente exaltado, foi tirar satisfações com os manifestantes, causando uma confusão generalizada. Marize Lippel conta que Figueiredo agiu de maneira irresponsável, querendo revolver a situação no tapa. Durante o café no Senadinho, ou Ponto Chic, mais discussões com manifestantes e troca de socos entre policiais, membros do governo e as pessoas na Felipe Schmidt, quando foi empurrado no carro oficial para não ser linchado durante a confusão, sendo conduzido ao churrasco oferecido pelo governo catarinense em Barreiros, Distrito de São José.
Sete estudantes, vinculados ao DCE da UFSC, foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional. No dia 02 de dezembro de 1979: Marize Lippel, Rosângela de Souza, Geraldo Barbosa, Amilton Alexandre (Mosquito) e Newton Vasconcellos. Já Adolfo Luiz Dias e Lígia Giovanella, respectivamente presidente e vice do Grêmio Estudantil, fugiram para o interior do estado, com medo de serem torturados, entregando-se dia 5 seguinte. Marize recorda que eles foram apontados e eram visados pelo poder público, por liderarem seus respectivos grêmios estudantis. Durante mais de um ano, responderam ao processo na 5ª Região Militar, em Curitiba, sendo absolvidos em fevereiro de 1981, por falta de provas.
Após o episódio, cada um seguiu um caminho. Adolfo Dias faleceu em 29 de janeiro de 1999, vítima de tumor. Lígia Giovanella atualmente trabalha na Fundação Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Rosângela de Souza é advogada em Florianópolis, ligada as causas trabalhistas e sociais. Marize Lippel trabalhou mais de 20 anos no Samae, em Blumenau, e atualmente trabalha na Diretoria de Vigilância Sanitária, na capital. Newton Vasconcellos é médico na capital catarinense. Geraldo Barbosa é sociólogo e professor universitário. Amilton Alexandre, o Mosquito, depois de administrar o Bar Havana, uma loja de informática e pestar serviços pela Eletrosul, é titular do Blog Tijoladas.
O historiador Nelson Maurílio Coelho Junior destacou a crise econômica e social que o mundo enfrentava, diante das altas quantias em empréstimos contraídas pelos militares em busca de obras públicas, aumentando a dívida externa brasileira. No contexto internacional, a crise do petróleo, causada pelos conflitos entre os países árabes e israelenses, em 1974 e 1979. Em protesto, os estados árabes, líderes da Opep, aumentaram o preço do combustível buscando uma solução para a disputa, inviabilizando a venda do produto.
Nelson frisou que as denúncias de corrupção começaram a ganhar força e tornar a situação política ainda pior. Havia indiferença contra a população, que não participava das discussões e não tinha liberdade de manifestar-se contra os representantes políticos. “A população não tinha participação, não havia transparência, não tinha informação de nada do que acontecia, tudo era proibido, nada era permitido”, completou o historiador.
Outro fato que influenciou a crise foi a placa em homenagem ao general Floriano Peixoto, responsável pelo massacre do Anhatomirim, em 1984, levando centenas de catarinense à morte, no episódio conhecido como Revolução Federalista. A capital mudou o nome de Desterro para Florianópolis, contrariando muitas pessoas até a atualidade. “Foi uma homenagem que o Jorge Bornhausen e o prefeito da época fizeram para o presidente da época e a população não gostou nada dessa homenagem”, falou Nelson.
Marize Lippel recorda que a manifestação decorreu de forma pacífica, declarando o repúdio à situação que o país vivia diante das dificuldades sociais, inflação galopante. De acordo com Marize, o presidente e o governador não souberam contornar o problema. “A postura deles foi a pior possível, de pessoas que não tem a menor disciplina”, completou.
Leia mais
Clic RBS:
Especial Novembrada
O dia em que Santa Catarina desafiou o poder
Entrevista com Lígia Giovanella e Marize Lippel
Placa de homenagem a Floriano Peixoto (Depoimento de Nilo Marques)
Relato de Moacir Pereira
Entrevista com Nelson Wedekin
Conversa com Moacir Loth (jornalista agredido pela polícia)
O trabalho na televisão: Walter Souza
O senadinho e o general: Edy Tremel
Cotidiano - Curso de Jornalismo da UFSC
Novembrada
Ricardinho Machado (Guia Floripa)
domingo, 29 de novembro de 2009
Novembrada: 30 anos depois
Novembrada: 30 anos depois
30/11/2009: Texto Novembrada 30 anos depois
Um resumo sobre os acontecimentos no dia 30/11/1979
01/12/2009: Censura x Liberdade de expressão
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02/12/2009: Entrevista com Marize Lippel
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08/12/2009: Entrevistas com Sérgio Rubim e Jurandir Camargo
Ambos falam da cobertura que fizeram pelo Jornal O Estado, veículo que trabalhavam
09/12/2009: Entrevista com Walter Souza
Walter Souza fala da cobertura que fez pela RBS TV, onde atuava como repórter
10/12/2009: Entrevista com Valter Severino
Valter lembra o trabalho que realizou pela equipe segurança do governo
11/12/2009: Entrevista com Celso Martins
Celso faz uma análise do período de repressão, Operação Barriga-Verde e Novembrada, comparando aquele período com a atualidade
12/12/2009: Entrevista com Ana Carla Pimenta
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13/12/2009: Perfil de Amilton Alexandre
Um olhar sobre o Mosquito, envolvido na Novembrada e atual titular do Blog Tijoladas
sábado, 28 de novembro de 2009
NOVEMBRADA: SUBLEVAÇÃO POPULAR PÕE A DITADURA EM XEQUE
Por Olsen Jr.
Começou em 1968, na França. Os operários em greve tiveram a adesão dos estudantes universitários. Cada movimento com reivindicações próprias, mas unidos.
Depois se alastrou pelo mundo. A motivação poderia ser diferente, mas havia sempre um gancho. Nos EUA foi o Vietnã, no Brasil, a morte do estudante Edson Luís no Restaurante “Calabouço” que causou comoção nacional e desembocou na Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação civil contra a ditadura vista até então.
Na Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália, Tchecoslováquia, Polônia, os levantes estudantis que se espalharam pelo planeta fizeram de 1968 um ano que entrou para a história como símbolo de insatisfação e também de utopia.
Tanto nos países comunistas quanto nos capitalistas, o grande fantasma que assombrava o status quo era a “fusão das lutas” de estudantes e trabalhadores, como ressaltou Remi Kauffer do Instituto de Estudos Políticos de Paris.
No Brasil a saturação foi dando-se aos poucos, nos dez anos que antecederam a visita do então presidente João Batista Figueiredo a Florianópolis no episódio conhecido como “Novembrada”. Teve a morte do operário Manoel Fiel Filho, sob tortura, somadas com a do jornalista Vladimir Herzog, igualmente, e que punham sob suspeita os métodos de manutenção da ordem pública alegados pelo governo.
Houve a exoneração do ministro do exército, Sylvio Frota que foi desautorizado com o ato a antecipar o procedimento sucessório ao presidente da república, na época o General Ernesto Geisel. O fato acabou tornando público a chamada “linha dura” dentro das Forças Armadas. Um grupo que era refratário ao processo de “Abertura política” que contava com amplo apoio da sociedade civil organizada e principalmente dos estudantes. Aliás, estes preferiam que tudo acontecesse com maior rapidez.
Com a edição do AI-5 e conseqüente, fechamento do Congresso Nacional, o regime atingiu o paroxismo em termos de cerceamento da liberdade.
Foi o presidente Figueiredo (que sucedeu Geisel) o encarregado de levar adiante a propalada “Abertura” que deveria ser lenta, gradual e irrestrita.
O mesmo mandatário que afirmou: “O povo é massa de manobra”; que disse preferir o cheiro de cavalo ao cheiro de gente, mas também havia dito que quem fosse contra a “Abertura” “...Eu prendo e arrebento”.
No dia 30 de novembro de 1979 celebrando os 90 anos da República foi marcada a visita do presidente Figueiredo à Florianópolis. Embora o AI-5 tivesse sido revogado, e o País caminhasse lentamente para uma democracia, o processo ainda levaria tempo e havia uma insatisfação permanente não só com o cerceamento de algumas liberdades, mas algumas questões de ordem econômica que não se resolviam.
Os universitários, através do DCE – Diretório Central dos Estudantes, resolveram fazer um protesto em frente do Palácio Cruz e Sousa. O que deveria ser uma festa acabou em tumulto quando se pretendeu homenagear o patrono da cidade, o “Marechal de Ferro”, Floriano Peixoto, persona non grata para os catarinenses por ter mandado fuzilar centenas de pessoas (que eram contrárias à República) na Ilha de Anhatomirim.
O confronto dos manifestantes como presidente do Brasil ganhou repercussão internacional e certamente favoreceu o processo de reabertura democrática no País.
Para satisfazer ao pedido do presidente, de que os “culpados” deveriam ser presos, alguns estudantes sofreram um processo de enquadramento na Lei de Segurança Nacional, mas foram posteriormente absolvidos. Minha homenagem aos amigos Adolfo Dias (in memoriam), Amilton Alexandre e Rosangela de Souza.
Os estudantes sempre tiveram um papel importante no destino do Brasil, está lá na obra “O Poder Jovem”, do amigo Arthur José Poerner, aqui o meu respeito também àqueles que não se intimidaram diante da barbárie, o que tornou até esse texto possível!
Nota do Blogueiro:
Também presto minha homenagem aos estudantes que lutaram pela nossa democracia. Ao Adolfo, que não conheci, ao Mosquito, além da Lígia, do Geraldo, da Rosângela, nossa Lelê, e a Marize.
domingo, 22 de novembro de 2009
Eventos sobre os 30 anos da Novembrada
Fontes:
Sérgio Rubim (Canga)
http://cangarubim.blogspot.com/2009/11/o-nosso-hino-mais-bonito.html
Celso Martins (Sambaqui na Rede 2)
http://sambaquinarede2.blogspot.com/
Tijoladas do Mosquito
Novembrada 30 anos – Dia 30 às 19 h na ALESC – Desembargador Lédio Rosa de Andrade – ex-lider e militante estudantil, lança livro “Abaixo as ditaduras”
NOVEMBRADA 30 ANOS (1979-2009) Eu estava lá!
domingo, 5 de julho de 2009
Trabalho sobre a novembrada
O curso de Jornalismo da Estácio de Sá realiza um evento diferente nesta segunda-feira para encerrar o semestre. Pela primeira vez nos seus sete anos de história, um Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) será defendido fora do campus. Será no Palácio Cruz e Sousa, local onde há 30 anos começou a Novembrada. Será o último dos dez TCCs deste semestre. Durante o evento, alunos e professores farão um ato em defesa do diploma. O evento é aberto ao público.
Novembrada – um protesto esperado
Nesta segunda-feira, 6 de julho, a partir das 20h, no auditório do Palácio Cruz e Sousa, será apresentado o documentário em vídeo Novembrada – um protesto esperado, que registra a revolta popular ocorrida em 30 de novembro de 1979 na capital catarinense. Naquele dia, o último presidente República general João Figueiredo, de passagem por Florianópolis, entrou em confronto com a população que protestava contra a situação política e econômica. A manifestação levou à prisão sete estudantes, todos enquadrados e processados na Lei de Segurança Nacional.
O vídeo reúne imagens inéditas do episódio além de entrevistas com estudantes presos, jornalistas, historiadores, sociólogos, personalidades políticas e populares que presenciaram o ato. O trabalho abrange não apenas os protestos do dia 30, mas os desdobramentos que se seguiram, e que fazem parte das mobilizações pelo fim do regime militar no país.
O documentário foi produzido como Trabalho de Conclusão do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá por Ana Carla Pimenta, e orientado pela professora Regina Zandomênico.
Primeira parte
O tema é rico, e isso fez com que fossem gravadas mais de 30 horas e ouvidas mais fontes do que seria possível incluir em uma versão compacta, como pedem as normas de um trabalho de conclusão de curso. Por isso Ana Carla Pimenta diz que uma versão completa está sendo planejada. “Falta obter recursos financeiros para viabilizar um documentário maior, que contenha todas as entrevistas realizadas”, diz ela.
Nesta versão compacta, além dos estudantes presos, entram também o ex-senador Nelson Wedekin, o ex-governador Esperidião Amin, o procurador geral do estado Sadi Lima e a historiadora Marlene di Fáveri, entre outros.


