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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Entrevista com Antônio Carlos Cunha

Entrevista com Antônio Carlos da Cunha, o Carlinhos

Professor de Artes e coordenador do Boi de Mamão do Sambaqui, Carlinhos fala sobre a formação do grupo e a importância artística e cultural para a comunidade.

Data da entrevista: 7/9/2018
Evento: Festa do Divino Espírito Santo 2018, em Santo Antônio de Lisboa

Carlinhos
Foto: Diego Wendhausen Passos


Como e quando surgiu a ideia de formar o grupo Boi de Mamão do Sambaqui?

O grupo Boi de Mamão do Sambaqui, ele foi formado em 1983, por um grupo que se chamava Defesa da Ponta do Sambaqui. Era formado alguns moradores da comunidade, jovens na época, e como a gente tinha um problema sério com um empreendimento que queria ser instalado na localidade, um Iate Clube, estávamos formando um movimento que surgiu também com a proposta de mobilizar o bairro para outras reivindicações, assim como o Casarão, que era da antiga alfândega, depois passou para a Receita Federal. E naquele período, em 1984, passando um ano depois, a gente conseguiu o Casarão para a comunidade. Atualmente é a nossa sede cultural. O Boi de Mamão fez parte disso tudo. Sempre esteve ativo nas necessidades da região.

Em quais são os tipos de eventos e festas o Boi de Mamão do Sambaqui costuma participar?

Participamos de vários eventos, quando somos convidados, mas também dançamos muito em comunidades, em festas juninas, às vezes em eventos também, no Centro da cidade, em festas culturais, como em São José, na Feira de São José, que acontece a cada 15 dias. Em vários lugares, inclusive para São Paulo também, encontro de folclore. O Boi de Mamão não tem uma época específica para ser apresentado. Basta solicitar que realizamos apresentação, porque esse é um trabalho realizado a nível de manter a identidade da nossa comunidade. A gente preserva e estamos sempre ativos.

Na sua visão, qual a importância cultural e artística do grupo para com a comunidade?

A importância disso é grande. É algo fundamental para a comunidade, por que na medida que você tem as suas raízes culturais, dentro da localidade, você não perde a identidade. Vai ter sempre aquele lugar como referência, como nós temos atualmente. O folclore é muito acentuado na nossa região, pois temos umas das comunidades que tem um grupo folclórico que trabalha com várias danças, como a dança do boi de mamão, a dança do pau-de-fita, a dança da ratoeira, a dança do balaio, a dança da peneira, então, acho que hoje na ilha é um dos focos centrais, é a nossa comunidade.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Entrevista com Sérgio Luiz Ferreira

Historiador, filósofo e professor universitário fala sobre o contexto histórico e cultural da Festa do Divino Espírito Santo

Data da entrevista: 8/9/2018
Evento: Festa do Divino Espírito Santo 2018, em Santo Antônio de Lisboa

Sérgio Luiz Ferreira
Foto: Diego Wendhausen Passos


Como e em qual contexto histórico surgiu a Festa do Divino Espírito Santo?

O Divino Espírito Santo surgiu na Idade Média, no contexto do surgimento das ordens franciscanas, que entre havia o Frei Joaquim de Fiore, classificando a humanidade se dividia em três idades. A idade do pai, que é o Antigo Testamento, a autoridade, a idade do filho, que é o Novo Testamento, tem Jesus e seus discípulos, que convida os seres humanos para serem seus apóstolos, e haveria a idade do Espírito Santo, que é a idade em que não haveria mais hierarquia, que todo mundo seria igual. Então, surge com esse princípio, de que todos são iguais perante a Deus.

Quais são as principais contribuições históricas, culturais e religiosas que o evento traz ao longo dos séculos?

Em cada lugar, a Festa do Espírito Santo vai adquirindo características diferentes. Nos Açores é bem diferente do que se faz aqui. Em Santo Antônio de Lisboa, já há alguns anos, aliamos a essa festa, que é religiosa, com a cultura também. Nós temos uma semana cultural intensa, de valorização dessa religiosidade açoriana com a cultura da ilha.

Na sua visão, que tipo de influência a festividade deixa para as comunidades onde são realizadas?

Em cada comunidade ela se caracteriza de um jeito. Em Santo Antônio, ela é o momento para as pessoas que não moram na localidade, retornarem. É o dia do encontro, é a maior celebração anual da nossa comunidade.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Entrevista com Mercia Maruk e Fernando Zimmermann

Vocalistas da Banda Faraway, Mercia Maruk e Fernando Zimmermann contam sobre a apresentação em eventos carnavalescos e analisam as diferenças de estilo em eventos festivos e de carnaval.

Data da entrevista: 12/2/2018
Evento: Carnaval 2018, Santo Antônio de Lisboa

Imagem: Rodrigo Lisboa

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Entrevista com Guilherme Luiz Cardozo

Guilherme Cardozo é vocalista da Banda Cruzzy e explica as particularidades de apresentações em eventos festivos e carnavais

Data da entrevista: 10/2/2018
Evento: Carnaval 2018, Santo Antônio de Lisboa

Imagem: Ederson Pires

domingo, 5 de novembro de 2017

A música como lazer

Fernando Reichert é engenheiro elétrico e servidor público aposentado, e aos domingos, costuma ir ao Parque do Córrego Grande, acompanhado pelo violão e a lista de músicas, para cantar.

Fernando Reichert
Foto: Diego Wendhausen Passos


Como surgiu sua paixão pela música?

Ao longo do tempo. Desde criança tenho tendência a tirar som de instrumento. Comecei com piano, depois, violão, cheguei a tocar acordeom.

E a música para você, é um passatempo, ou já chegou a trabalhar com ela, como apresentações em eventos e festas comunitárias?

Trabalhar profissional, muito pouco. Trabalhei um ano com uma banda de rock, quando eu era novo, e depois, esporadicamente em restaurante, mas muito pouco, nunca apresentei em festas. A maior parte do tempo é como lazer.

E quais estilos musicais você costuma tocar?

Eu tenho algumas músicas nacionais, internacionais, músicas românticas, como Roberto Carlos, na fase rock, Fagner, Caetano Veloso, Toquinho, algumas do país e outras estrangeiras, como Denver, John Denver, alguma coisa, Crown the Wind, Creedence Clearwater. E gosto muito do country americano, que é minha preferência maior.

domingo, 10 de setembro de 2017

Entrevista com Wilson Felippe e Caio Jorge

Integrantes da Banda Cruzzy desde abril de 2017, Wilson Felippe é vocalista e guitarrista e Caio Jorge é baterista da Banda Cruzzy

Data da entrevista: 9/9/2017


Participação na Banda Cruzzy

Wilson: Eu vim para a Banda Cruzzy no mês de abril. Fui muito bem recebido pela galera, a família Cruzzy, como nós chamamos aqui. Estou muito feliz em participar hoje, pela primeira vez, na companhia do meu amigo Caio, com os demais integrantes da Cruzzy.

Caio: Eu entrei na mesma época do Felippe. Tive a oportunidade quando o nosso amigo e ex-baterista Marcelo me chamou, e vai ser hoje nosso primeiro show com um público grande, em Santo Antônio, e acho que vai ser bacana. Fizemos alguns ensaios, estudamos bem, e estamos com um roteiro bacana. E acho que vai dar tudo certo.

Experiências no meio musical

Wilson: Eu toco violão há muito tempo, desde pequeno, e estou participando há uns três anos em uma escola de música, estudando guitarra, e estou entrando na banda como um iniciante na guitarra. Está muito legal. Gosto daqui, o astral é muito bom.

Caio: Eu comecei aqui, com um colega nosso, também do bairro, o Leonardo Gomes, que na época me vendeu a bateria, e comecei a pegar devagar. Fiz quatro anos de aula, depois eu parei, com a última banda reggae, depois eu vim morar em Sambaqui. Estou aqui faz uns seis anos. Daí veio o convite, e estou presente também, tudo amigo, ali do lado de casa, e não teve como recusar o convite e é uma coisa que eu gosto.

sábado, 9 de setembro de 2017

Entrevista com a Banda Faraway

Entrevista com Rodrigo Lisboa, baixista e vocalista, Fernando Zimmermann, vocalista e Mércia Maruk, vocalista da Banda Faraway

Data da entrevista: 9/9/2017

Como surgiu a ideia de criar o conjunto musical?

Rodrigo: A banda surgiu na ideia de jovens, adolescentes, na faixa de 13, 14 anos, a galera do bairro que se conhecia e tinha gosto musical em comum, e em abril de 1992, há 25 anos, tivemos a ideia de montar uma banda. Surgiu assim mesmo. Gurizada de colégio, bairro, juntando para fazer barulho. A gente era bem jovem. Foi assim que surgiu.

Que tipos de musicais vocês se inspiram?

Fernando: Eu acredito que na história da rapaziada, o que a gente mais se inspira musicalmente vem do rock, do pop rock e música boa. Mas hoje em dia, tocamos de tudo. Não reproduzimos somente o que nos inspira, reproduzimos aquilo, que de alguma maneira, incentiva a galera fazer a festa, atualmente eu vejo que a nossa missão é essa, divertir o pessoal, e um exemplo disso, foi no show de hoje. Conseguimos levar uma festa bem eclética, com repertório bem vasto. Nós temos as nossas inspirações, e também aquilo que a produzimos por missão.

Em quais tipos de eventos vocês costumam apresentar?

Mércia: A gente costuma fazer eventos como festas, como de quermesses ou apresentações em geral, casamentos, formaturas, bares, jantares, aniversários, festas de empresa. Onde nos chamam, buscamos comparecer.

domingo, 3 de setembro de 2017

Entrevista com Artur Junior Bittencourt

Artur Junior Bittencourt é fundador e vocalista da Banda Xaréu



Data da entrevista: 2/9/2017

Como surgiu a ideia de formar a banda?

A ideia surgiu do nada. Dois músicos tocando e o negócio foi crescendo, tomou outras proporções, e hoje estamos tocando por aí, onde chamar Xaréu, a Xaréu estará.

Quais são os tipos de música que o conjunto se inspira?

A gente se inspirou muito no som da terra. Não tem como não falar do Dazaranha, que é uma referência aqui na ilha para nós, e outros sons. O rock nacional é muito rico, e a nós precisamos valorizar isso e buscamos isso.

Vocês possuem quais planos e projetos em relação ao grupo?

O grupo está engatinhando ainda, mas estamos com um belo projeto. Hoje estamos muito felizes. Começamos em setembro com a parceria nova, com o apoio do pessoal das camisetas. A hash tag SQN Brasil (#sqnbrasil) apostou, e a gente aposta nela também, por que quem aposta na arte, merece o seu valor. Estamos trabalhando juntos, unidos.

Em quais tipos de eventos vocês costumam apresentar?

Não temos muita liberdade de escolha. Onde nos chamam, estamos. Se for no meio do sertanejo, vamos, se for no meio do rock n’roll, melhor. A gente está rodando a ilha, procurando apresentar as nossas músicas, de nossa autoria, feitas aqui, na ilha. Queremos rodar por Santa Catarina, pelo Brasil e o mundo inteiro, se pudermos. Também fazemos muitas participações em shows beneficentes, quando a Apae chama, participamos, McDia Feliz, quando chamarem, estamos dentro. A gente vai tocar dia 23 de setembro, apresentaremos para arrecadar fundos para o pessoal que sofreu aquele acidente com o Camaro, nos Ingleses, no dia 1º. A a gente é isso, muito de apoiar quem nos apoia.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Entrevista com Aline Assis

Filha do fundador do bloco carnavalesco Arrastão da Alegria, Aline Assis falou sobre o grupo, situado no bairro Pantanal, dentre as atividades ao longo do ano, em que buscam se preparar para as apresentações no início do ano.

Aline Assis acompanhada pelo namorado
Foto: Diego Wendhausen Passos


Há quanto tempo vocês participam do carnaval de Santo Antônio de Lisboa?

Há muitos anos. Tínhamos um outro bloco, que se chamava Saideira, era apenas bateria, apresentava somente em Santo Antônio, que fazia a bateria. Depois, quando acabou esse bloco, montamos o Arrastão da Alegria, com marchinha, tem quase nove anos, e continuamos sendo uma das atrações carnavalescas nesta região.

Como vocês conheceram o carnaval de Santo Antônio de Lisboa?

Desde criança eu participo, desfilamos em Santo Antônio de Lisboa há muitos anos.

Além das atividades carnavalescas, realizam outros eventos ao longo do ano?

Ao longo do ano, a gente realiza atividades com os nossos próprios componentes, visando arrecadar dinheiro para o carnaval, mas é um grupo fechado. Arrecadamos internamente.

Vocês possuem algum plano futuro, de expandir, ou continuar nessas mesmas atividades?

A gente prefere ficar pequeno, entre amigos, por que é um bloco de família, a concentração é lá em casa, preferimos nos manter em 100 pessoas, que é o nosso grupo máximo.


Acompanhe mais sobre o carnaval em Santo Antônio de Lisboa e em Sambaqui, pelo site Daqui na Rede

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Entrevista com Guilherme Cardozo: Parte 2


Banda Cruzzy (Guilherme Cardozo, de camisa branca)
Foto: Facebook


Data da entrevista: 05/09/2015

Diego: Depois de apresentar na abertura da Festa do Divino deste ano, o grupo também ficou com o encerramento. Qual o sentimento que fica para o conjunto poder participar duas vezes na mesma edição, e qual a música que mais marcou você durante as apresentações?

Guilherme: A emoção de participar duas vezes da mesma edição da festa, como havia te falado no dia 22/8, falei a minha expectativa, e com uma parte cumprida, na apresentação no Engenho dos Andrade, foi muito melhor do que eu imaginava, e a emoção aumentou. Ser uma banda da localidade, fazer parte da Festa do Divino com duas apresentações, pra mim, que já estava sendo algo especial, ficou ainda mais. E quanto a música, que mais marcou nesta apresentação, foi a música do Expresso Rural, Certos Amigos, por que, como todos sabem, na comunidade, eu passei por uma cirurgia, perdi voz, e faz três meses que eu recuperei e tivemos que retomar os ensaios às pressas, para conseguir se apresentar na festa. Foi muito importante para mim o ato de amizade, de ver os meus parceiros de grupo, que entenderam uma certa debilidade, quando eu acabei perdendo a voz e me afastando da banda, e avisei para eles que não estaria mais fazendo parte da Banda Cruzzy, e até houve uma tentativa de um outro vocalista, mas não deu certo, e eles simplesmente cruzaram os braços, aceitaram ficar sem tocar, e esperaram minha recuperação e o meu retorno ao conjunto. E essa atitude deles mostrou o quanto eles são amigos, bons parceiros, e a música Certos Amigos, para mim, realmente falou muito, e eu cantei com toda a emoção, por que lá eu não ofereci, aqui eu vou oferecer, vou dedicar essa música para eles, pois ela diz tudo, que cada estrela no céu, é um amigo na terra, o céu está cheio de estrelas e eu estou com muitos amigos aqui na terra, realmente, eles foram muito parceiros e são meus grandes amigos, que me esperaram, eu retomei meu lugar na banda, e hoje estamos podendo fazer essa participação na Festa do Divino.

Diego: Com três finais de semana de duração, os dias mais movimentados foram nos sábados e nos domingos. Qual a sua avaliação sobre a edição deste ano?

Guilherme: A edição deste ano teve um ponto contrário, que foi o próprio clima. Estamos vivendo nesses dias o que os manezinhos chamam de lestada, essa variação de tempo fechado, sol e essa garoa, às vezes chuva forte, e isso acaba afugentando um pouco o público. Mas podemos ver que a presença do povo da comunidade foi crescente, foram comparecendo mais, começou meio inibido na sexta-feira, mas engrenou, e o local foi contando com boa participação, e as apresentações estão bem, e espero que essa noite também seja especial, e que a nossa apresentação seja tão boa quanto as outras, que a qualidade musical seja a altura, e que o povo curta e se divirta com o melhor que a Banda Cruzzy pode oferecer, a diversão para a comunidade. É um grande prazer para nós, tocar na localidade, exatamente por isso, de cima do palco nós olhamos para quem está ali embaixo, e sabemos para qual público estamos tocando, reconhecemos as pessoas da comunidade, sabemos que estamos apresentando para pessoas aqui conhecidas, que fazem parte do nosso dia a dia, e isso é o que mais nos motiva a fazer um som aqui, esperamos que nosso grupo agrade a todos e que seja um grande sucesso a apresentação.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Entrevista com Guilherme Cardozo: Parte 1

Banda Cruzzy (Guilherme Cardozo, de camisa branca)
Foto: Facebook

Data da entrevista: 22/08/2015

Diego: Há quanto tempo você integra a Banda Cruzzy?

Guilherme: A banda já existia de antes, não vou saber te precisar, por que ela tinha outra formação, com outro nome, por ter acontecido uma divisão entre os integrantes, por que alguns moram em outra cidade, eles reformularam o nome, continua o mesmo pessoal e me chamaram para cantar em outubro de 2012.

Diego: Quantas participações o grupo teve na festa do divino?

Guilherme: Neste ano, vamos ter duas participações. Teremos o grande prazer de abrir os trabalhos de palco, na farinhada, e encerramos no dia 6 de setembro, tocando a partir das 8 da noite, no salão da igreja.

Diego: Quais são os principais estilos musicais que o grupo apresenta?

Guilherme: A Banda Cruzzy veio com uma ideia de um som eclético, não abordar somente o rock, então começamos a cantar músicas também de pop, vou te citar alguns grupos que interpretamos, como IRA, Titãs, Jota Quest, REM, entre outros, diversos estilos de pop, rock e pop rock.

Diego: Qual a importância, para a banda, e a vantagem de participar de um evento como a Festa do Divino?

Guilherme: Não tem como explicar, por que eu sempre participava das ações da comunidade, antes de entrar na banda, e eu não via uma participação tão ativa de talentos da comunidade nesses eventos. Eram sempre bandas de fora, sempre talentos de outros lugares, o que também é muito bom, mas com a afirmação da Banda Cruzzy, os contatos que criamos, e com o som que fazemos, as nossas propostas, as portas foram se abrindo. Apresentamos no carnaval de Santo Antônio, na Festa do Divino do ano passado e fomos convidados neste ano para duas participações, e a importância disso, é muito grande, é uma gratificação imensa. Eu, por não ser daqui, mas por integrar a localidade há alguns anos, interagindo com a comunidade e perceber que as pessoas tem aprovado o meu trabalho na banda, a minha participação, e tem comparecido quando a anunciamos, vi muitas pessoas que vieram por saber que estaremos presentes. É uma importância ímpar, não tem nem muitas palavras para explicar.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Entrevista com Ederson Pires


Ederson Pires
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 29/08/2015

Diego: Quando ocorreu a formação inicial do grupo?

Ederson: A formação inicial do grupo ocorreu na Festa do Divino, em 2012, quando banda Capitão Caverna, que era integrada pelo Samuel, Dionei, Marcelo Rocha eu e o Diogo. Quando o grupo se apresentou no evento, mas com outros integrantes. Com um novo baterista e um novo baixo. Então, eu e o Marcelo Rocha, a partir desse fato, como a Capitão Caverna veio com outros integrantes, de Jaraguá, nós resolvemos aqui, em Sambaqui. Então, fizemos alguns eventos, festas, para selecionar músicos, e conhecemos o Clóvis e o Guilherme, e inicialmente, o guitarrista foi o Daniel (Lisboa), filho do Jarbas (Lisboa), depois tivemos outro guitarrista, o Dimy Disconzi, mais o Samuel, que quando vinham de Jaraguá, sempre participavam. A partir desse período (outubro de 2012), nós formamos a Banda Cruzzy, com o ingresso do Rodrigues na percussão, também. Nasceu neste período, a partir da Festa do Divino.

Diego: Como surgiu a ideia de formar o conjunto?

Ederson: Eu e o Marcelo Rocha sempre tocamos em algumas bandas daqui de Santo Antônio. O Samuel já tocava na banda Baba Calantro. Depois, formamos junto com o Marcelo Rocha, o Samuel, o Jarbas (Lisboa), o Adriano, e o Feijão (Edenaldo Lisboa), a banda Primogênitos. E na sequência, nós formamos a Banda Cruzzy. Ela é uma banda de rock, formada a partir da banda Capitão Caverna e banda Primogênitos.

Diego: Quais são os estilos musicais que vocês cantam?

Ederson: Nosso estilo musical é o pop rock dos anos 90, com prioridade para as músicas nacionais.

Diego: De que forma ocorreu a mudança de nome da banda?

Ederson: Nós tínhamos algumas ideias para dar um nome ao grupo, e fomos montando, ouvindo, e essa expressão ‘cruzy’, cruz credo, e fizemos um paralelo com o Ozzy, que é um roqueiro, e a gente otimizou o nome Cruzzy com os dois z’s e o y do Ozzy, e aí surgiu a Banda Cruzzy. Vem dessa expressão ‘cruzzy’, cruz credo, expressão cultural nossa.

Diego: Qual a proposta do conjunto musical?

Ederson: A proposta é a diversão dos membros da banda. Temos o propósito de se apresentar nas festas de amigos, aniversários, em eventos da comunidade, o propósito é nos divertir.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Entrevista com Marcelo Rocha

Marcelo Rocha
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 05/09/2015

Diego: Quando ocorreu a formação inicial do grupo?

Marcelo: A formação inicial do grupo em outubro de 2013, quando nós começamos a tocar. Eu, o Edinho, o Gui, o Clóvis e o Rodrigues.

Diego: Como surgiu a ideia de formar o conjunto?

Marcelo: Eu, o Edinho e o Samuel, nós tocávamos na banda Capitão Caverna. O conjunto era eu, o Edinho, o Samuel, o Dionei, mais o pessoal de Jaraguá do Sul, e acabou complicando um pouco a vinda deles para cá. Com isso, resolvemos formar uma banda com o pessoal da região. Entre uma conversa e outra, o Sérgio indicou o Gui, descobrimos o Clóvis também, que começava a tocar o violão, e fizemos o Rock no Rancho, contando com a presença do pessoal. Convidamos o Gui, veio esse pessoal, começamos a montar, ele aceitou o desafio, e surgiu a ideia de montar a banda, fazer um som para o pessoal da comunidade, nas festas, então, criamos com esse intuito, fazer uma banda entre os amigos e para a comunidade, todo mundo aqui, ao redor, apresentando em festas, como a Festa do Divino, que era um sonho para nós, foi assim que criamos o conjunto.

Diego: Quais são os estilos musicais que vocês cantam?

Marcelo: A gente toca o pop rock, que é um rock nacional, uma balada que todo mundo gosta de ouvir, dos anos 80, 90, até uma coisa mais nova, mas é um estilo mais voltado de bandas nacionais, basicamente esse, não foge muito a regra.

Diego: De que forma ocorreu a mudança de nome da banda?

Marcelo: A mudança do nome aconteceu por que nós tínhamos a Capitão Caverna, com o pessoal de Jaraguá do Sul, e fizemos uma seleção, colocar um novo nome. Cada um deu uma ideia, indicando um nome, e chegamos na Banda Cruzzy, por que aquela de “cruzzy”, tem várias denotações, com a coisa boa, com a coisa ruim, e colocamos o nome Cruzzy por que é um jargão básico local (cruz credo), manezinho, a gente resolveu colocar o nome, escolhendo, por que e Capitão Caverna já não tinha a mesma formação. Começou tudo do zero, e por isso escolhemos o nome como sendo Cruzzy.

Diego: Qual a proposta do conjunto musical?


Marcelo: A proposta, é basicamente apresentar nas festas da comunidade, qualquer tipo de evento, como a Festa do Divino, ou que tiver aqui na região, do nosso distrito, e nós formos convidados, nós vamos tocar, para os amigos, os colegas, para quem gosta de um som legal, dos anos 80, 90, o rock nacional, essa é a proposta, e a gente pensou nesse formato, e criamos a Banda Cruzzy, para fazer um som que todo mundo goste e cante junto, um som nacional, e temos ouvido bastantes elogios por onde passamos, e a Banda Cruzzy está fazendo um som legal e que tomo mundo está curtindo, e onde nós vamos tocar, o pessoal tem acompanhado, por que gosta do som que estamos tentando fazer. Fazemos com carinho e amor para o público, e a iniciativa foi essa, tocar para os amigos.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Gilead Mauricio


Gilead Mauricio
Foto: Diego Wendhausen Passos

Gilead Mauricio é formado em Administração, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá, de Santa Catarina. Atua como trabalhador autônomo.

Data da entrevista: 15/08/2012

Diego: Como surgiu a ideia de realizar o trabalho sobre a Guerra do Contestado?

Gilead: Durante a faculdade de Jornalismo, eu tinha a ideia de fazer o trabalho sobre o Contestado, realizando um mapeamento, por que eu gostava muito do tema, achava interessante, mas da mesma forma lia sobre o assunto, não entendia onde foi o evento, em que lugar aconteceu, como são aqueles lugares atualmente. Eu tentava analisar, mas ficava meio distante, não dava para ligar com a realidade, queria fazer um mapeamento, ver como é hoje, como estão esses locais, se há descendentes dos caboclos. Buscava pesquisar isso, eu não encontrava nos livros. As publicações que pesquisei eram boas, muitas delas interessantes, mas não conseguiam situar o leitor dentro do evento guerra do Contestado. Vou fazer sobre isso, escrever um livro, e o Trabalho de Conclusão de Curso foi o primeiro passo. Faço ele como trampolim para depois fazer o livro.

Diego: Quais foram as principais dificuldades para a realização do trabalho?

Gilead: A primeira, a distância. Daqui até Caçador são 400 quilômetros. Tem que se ausentar daqui para ir até a região. Segundo, é encontrar os locais onde houveram os conflitos, diferente de Canudos, por exemplo, ocorrida em um lugar, a guerra do Contestado teve diversos palcos. Você vai encontrar em um raio de 100 quilômetros, de Caçador, você vai passar por vários lugares onde houveram confrontos, visando situar esses lugares, esquecidos hoje. Tinha que procurar um historiador que conheceu aquela região, para saber onde ficavam os antigos redutos. Isso é difícil de encontrar, e aproveitei para fazer um mapeamento e no meu livro falo onde ficam esses lugares, para facilitar o leitor, por que não sabia onde eram. Precisei ler bastante, conversar com muitos historiadores, que sabiam onde ficava o lugar, mas também há vários que não sabem onde fica. Eles escreveram, mas não sabem onde se situa, onde ficam aqueles locais. É difícil encontrar aqueles locais. Em lugares como Timbó Grande, por exemplo, é muito difícil de chegar, mais complicado de encontrar.

Diego: Em relação as fontes de pesquisa, o material é fácil de encontrar ou a quantidade é pequena?

Gilead: O material é fácil. As primeiras fontes de pesquisa foram os livros, publicados hoje. Alguns deles não tem mais a venda, por isso necessitei procurar, fazer uma cópia, porque você não encontra. Alguns deles são impossíveis, livros raros e você não encontra. Os primeiros escritos dos militares, no início do século passado, depois da guerra, muitos não existem mais. Se você consegue um exemplar desses, é o único jeito é fazer uma cópia. Os livros, muitos estão acessíveis. Outros mais difíceis tem que correr atrás, mas se o pesquisador quiser saber mais, tem os museus. Se a pessoa chegar hoje, no museu do Contestado, é bem atendido. Outra fonte são os historiadores. Do tema, que pesquisam sobre o conflito. Todos eles são acessíveis. Acho que o historiador do evento quer passar a ideia, que as pessoas entendam e eles querem vender a ideia do Contestado. Eles não se furtam a dar a informação, furtam a sentar com você uma ou duas horas para falar sobre o assunto para explicar, e, percebendo que você está fazendo um trabalho sério, eles vão sentar contigo. Todos eles foram muito solícitos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Dario de Almeida Prado Junior


Dario Prado Junior e Sérgio Rubim (Canga)
Foto: Diego Wendhausen Passos

Dario de Almeida Prado Junior é jornalista e fotógrafo. Trabalhou nas revistas Veja, Visão, Jornal O Estado, Jornal da Bahia, foi colaborador do Jornal Afinal. Atualmente atua como fotógrafo e taxista.

Data da entrevista: 08/08/2012

Diego: Como surgiu a ideia de produzir um material sobre a guerra do Contestado?

Dario: Em 1984, no governo de Esperidião Amin, o Sérgio Rubim (Canga), o Jurandir Pires de Camargo, e eu, Dario de Almeida Prado Junior, apresentamos um projeto para o governador, para fazer um documentário sobre a guerra do Contestado. A ideia era viajar pelo estado, buscar os remanescentes do conflito e registrar entrevistas com eles, que nós fizemos no período de 1984 e 1985. No final do ano de 1985, nós tínhamos rodado 30 mil quilômetros, encontrado alguns sobreviventes, e com eles realizamos as gravações propostas, e lançamos um documentário de 56 minutos de duração, chamado de Contestado: a guerra desconhecida. O título deve-se ao fato de que se tratava de um conflito acontecido no Brasil, praticamente na região hoje compreendida pelo estado de Santa Catarina, e que tem uma importância muito grande na história brasileira.

Diego: Pegando o final do período militar, e já o período pós-ditadura, ainda pegando o período de censura, de transição do período de repressão para abertura política, vocês chegaram a enfrentar alguma dificuldade para publicação dos materiais?

Dario: Na publicação não, mas quando fizemos em 1984 e 1985, ainda era ditadura, no governo do general João Baptista Figueiredo, aquele que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo, e nós não podemos, não pensamos e nem conseguimos nenhum contato para fazer uma pesquisa nos arquivos do exército, por exemplo. Essa dificuldade houve. Para veiculação do material, não. Nós participamos inclusive de uma mostra de filmes que se abordavam a questão da posse da terra no Brasil, em um evento promovido pela Unicamp, e acabamos ganhando um prêmio especial do júri, pelo nosso trabalho, eles ficaram com uma cópia nos arquivos da universidade, e foi muito positivo para nós.

Diego: E com relação aos materiais, teve bastantes dificuldades ou na época o material era vasto, de fácil pesquisa?

Dario: Não era de fato pesquisa. Viajamos muito e encontramos muita gente que não quis falar, sentiram-se intimidadas, passados 60 anos do conflito, por terem sido os perdedores, na sua maioria. Nós entrevistamos apenas os soldados, os outros foram revoltosos, ou ligados ao grupo, e como eles eram os perdedores, são vistos como os monstros da guerra, então eles se sentiam intimidados em fazer entrevista, mas muitos foram mais generosos, compreensivos e nós conseguimos produzir o vídeo.

domingo, 21 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Vicente Telles


Vicente Telles
Foto: Diego Wendhausen Passos

Vicente Telles trabalha no museu do Contestado, no município de Irani

Data da entrevista: 03/08/2012

Diego: Que viés tem o Contestado? Quais são eles?

Vicente: Eu entendo que o Contestado tem três vieses fundamentais: a informação, importantíssima base, fundamental para o conhecimento genérico da história, é o corpo que engloba ele. Agora, tem o outro viés, o da deformação. Quer dizer a coisa errada, são as pessoas que exploram a causa em favor próprio, e não a causa pela causa. Nós precisamos obter os sentimentos. O cidadão que escreve, às vezes, por conveniência, para ele, e não pela causa. Seriam os estelionatários da história, que estão buscando querer ganhar dinheiro em cima da história. Então, eu digo, viés é a informação, tem outro viés, da deformação, o que eu acabei de falar, e o da formação, ensinando os exemplos de coragem e de bravura dos caboclos do Contestado contra a opressão. Esses são exemplos que eu enfatizo em minhas palestras para alunos que recebo no meu memorial, semanalmente, de vários pontos do estado, do Paraná, do Rio Grande, de Santa Catarina, e com o incentivo, estimo eles e sentirem essa vibração de catarinismo que não temos. Não temos identidade. Temos visto isso em Santa Catarina, e nenhuma delas, isoladamente, ou em conjunto, representa nossa identidade. Ela está na alma do caboclo.

Diego: Quais foram os principais impactos do conflito do Contestado para a região do meio oeste catarinense? Impactos sociais?

Vicente: Eu diria o seguinte, que a invasão de um território, as raízes que eram um paraíso, você acuado na toca, é o primeiro impacto, o mais violento e o mais agressivo. Esse, para mim, foi o primeiro impacto. E a partir disso, a guerra toma-se um encadeamento maior, sobretudo, momentaneamente positivos, e às vezes, negativos, mas eles, havendo de forma positiva ou negativa em todo o decorrer da guerra. Quais seriam eles? Da derrota, da esperança, quando vence uma batalha, não sabendo destino que vai dar aos seus filhos ou a sua família, a indignação de ver a exploração pelo poder econômico estrangeiro e brasileiro somados dentro do plano de corrupção, para tomar o espaço de todos. Tudo isso foi uma sequência de impactos, que não se pode ter em um ou em outro sem poder analisar em conjunto de todos eles.

Diego: E qual a importância do Contestado para a região meio oeste?

Vicente: A importância seria hoje a do resgate, porque é uma desimportância, ela foi uma guerra agressiva, fratricida entre irmãos, e tudo que ocorre assim, conflitos entre irmãos, se não serve para humanizar, não tem sentido de ser estimada. Mas para essa região, a importância é ser resgatada com dignidade, criando um sentimento em torno da história, e transformá-la em ímã de atração turística e sustentável.

sábado, 20 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Celso Martins


Celso Martins
Foto: Diego Wendhausen Passos

Celso Martins é jornalista e historiador, trabalhando atualmente no site Daqui na Rede

Data da entrevista: 08/08/2012

Diego: Habitantes da região há décadas, muitos dos moradores perderam as terras que ocupavam para a empresa que ficou responsável pela construção da estrada de ferro. Como se deu esse processo?

Celso: Não foi apenas a estrada de ferro que despejou os caboclos. Quando as terras começaram a ganhar valor para a colonização, a extração de madeira, começou o processo de expulsão dos caboclos das terras. Ela, até então, tinha valor de uso, os caboclos usavam, ficavam um tempo e migravam para outra. Quando ganha valor de mercado, é que se dá o conflito, o rompimento social que havia ali, rompendo o equilíbrio social que havia no sertão. Não foi apenas a ferrovia. Foi um ingrediente, porque houve o combate do Irani sem a presença da estrada de ferro, e sim por causa do problema da posse da terra.

Diego: Área disputada pelos estados do Paraná e de Santa Catarina desde o início da república, devido a exploração das riquezas da região, sendo o local de funcionamento da estrada de ferro, gerando os conflitos e lutas políticas e sociais. O que gerou esse conflito?

Celso: Foi exatamente o que fermentou a tensão, levando a ruptura, da ordem institucional, do próprio levante dos sertanejos, foi exatamente a posse da terra, a questão da terra. Eles foram preteridos em função de um processo “civilizador” da república, que em um primeiro momento passou as terras da união para a mão dos estados, isso já na proclamação da república, ou seja, na mão dos governos republicanos como moeda de negociação, de manutenção do poder político e de barganhas, e sem considerar a presença dessas populações, que não estavam no projeto republicano.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Paulo Roberto Hapner


Paulo Roberto Hapner
Foto: Bruno Arthur Hochheim

Paulo Roberto Hapner é Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná

Data da entrevista: 02/08/2012

Diego: A religiosidade foi um ponto que caracterizou a região do meio-oeste catarinense, onde inúmeras pessoas perderam as concessões do território para a empresa responsável pela construção da estrada de ferro ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul. Como os habitantes reagiram à perda das terras?

Paulo Roberto: Como eu havia falado, eu não sei se os habitantes, que perderam a terra, reagiram, ou se foram mais pessoas ou outros habitantes que perderam a terra, se a perderam. Essa região, quando foi feito o trajeto, a concessão é de 1888, ainda no período imperial, foi concedida a Teixeira Soares, dando a ele, para direito da construção da estrada, o direito para ele explorar e o domínio de 15 quilômetros para cada lado. Se existia alguém habitando, eu não sei como foram tratadas as pessoas que residiam ali, como foi tratado, se elas foram desalojadas da região, ou se houve acerto ou concedido a eles o direito de ocupação. O que eu posso dizer a você, é que nos litorais paranaense e catarinense, as pessoas que tinham posse, elas sempre foram respeitadas, mesmo para aqueles que possuíam as concessões. Neste caso, se essa concessão, essa empresa que construiu a estrada não respeitou, eu não tenho conhecimento se foi desta forma e se não respeitou as pessoas que moravam ali, ou se foram pessoas que ali moravam e trabalharam na estrada, passaram a residir nessa região. Eu não sei se eles foram os posseiros ou se eles foram desalojados, não tenho conhecimento específico sobre esse assunto.

Diego: Além das questões religiosas e sociais, acontecimentos políticos acirraram ainda mais o conflito na região, disputada entre Paraná e Santa Catarina, uma das guerras mais longas da história do Brasil. Quais foram as principais causas do conflito?

Paulo Roberto: Segundo o maior historiador do Brasil, que é Calmon, existia messianismo e banditismo. Nós estamos tentando discuti, 100 anos depois do conflito do Irani, quais foram as causas, tudo adaptado nessa questão de limites que existia entre o Paraná e Santa Catarina, e a falta de jurisdição sobre o território contestado. Muitas são as causas, a religiosidade, talvez, muitos falam que é a tentativa de volta a monarquia, a existência de ex-maragatos na região, federalistas, messianismo, tudo isso pode ter levado, tentando estabelecer qual a causa preponderante, uma coisa que vai levar alguns anos para se responder.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Guerra do Contestado (1912-1916)


Entrevista com Esperidião Amin



Esperidião Amin
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 03/08/2012

Esperidião Amin é professor da Universidade Federal de Santa Catarina, ex-governador, e atualmente é Deputado Federal por Santa Catarina

Diego: A religiosidade foi um ponto que caracterizou a região do meio-oeste catarinense, onde inúmeras pessoas perderam as concessões do território para a empresa responsável pela construção da estrada de ferro ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul. Como os habitantes reagiram à perda das terras?

Amin: Você imagine isso, começo do século XX, é lógico que não existia a escritura da propriedade. Tinham posseiros, saldo de várias migrações, Revolução Federalista, das reduções jesuíticas, ou seja, evadidos, para não dizer foragidos de vários conflitos do Brasil meridional, do sul da América do Sul. Essas pessoas estavam lá trabalhando, sobrevivendo, subsistindo, quando chegou o progresso, sob a forma, antes do trem, dos trilhos, a exploração da grande reserva de araucária. Era o pagamento do império e da união, porque a negociação foi feita no período imperial, e o pioneiro dessa parceria público privada, o Percival Fraquhar, e eles reagiram fugindo, juntando-se, e reagiram, resistindo. É uma história muito complexa, que mistura natureza, ecologia, movimento social, capitalismo, resistência pessoal, redes sociais, na época, e, qual era o amálgama, o catalisador para esse povo, o é que a religiosidade? Em todos os lugares do mundo, os oprimidos se apegam a alguém, a algo maior que eles. Nisso, a religiosidade e suas várias manifestações, que por serem estranhas a nós, passam a ser confundidas com fanatismo, mitologia, nomes que são atribuídos a religiosidade do povo do contestado.

Diego: Além das questões religiosas e sociais, acontecimentos políticos acirraram ainda mais o conflito na região, disputada entre Paraná e Santa Catarina, uma das guerras mais longas da história do Brasil. Quais foram as principais causas do conflito?

Amin: Dinheiro. Do pinheiro, da erva mate. A região era rica para o extrativismo, e que ainda hoje se pratica no Brasil. O que ficou lá? O IDH mais baixo do estado. Assim como no país, que exporta ferro, ainda hoje, já exportou ouro, pau-brasil e outras riquezas. Nas regiões onde se extrai recursos naturais, o que fica? Pobreza e natureza degradada. Vai até a bacia carbonífera. Ou seja, a história se repete, e apenas passou pelo contestado.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Entrevista com Russo Born

Russo Born
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da Entrevista: 26/07/2011

Russo Born é formado em Geografia e História, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e ministra aulas para escolas, cursos pré-vestibular e preparatórios para concurso público, nas áreas de história, geografia e geopolítica.

Diego: Proveniente da Revolução Russa de 1917, a União Soviética, fundada em 1922, adotando o modelo socialista, contrapondo com a economia de mercado, vigente no sistema capitalista. Até que ponto a economia planificada teve seus pontos positivos?

Russo: A economia planificada foi algo diferente. Eles eram a cada cinco anos, então foi uma tentativa interessante de planejar um crescimento econômico. Ela ajudou vários lugares. No sistema capitalista, por exemplo, se um lugar não é economicamente rentável, não se investe naquele local. Se o número de pessoas é insuficiente, não se investe, porque no sistema capitalista é necessário fazer o possível para que não se caia em uma queda econômica que vá levar o crédito à falência. No sistema socialista, alguns lugares afastados do sistema econômico central, por exemplo, Uzbequistão, Turcomenistão, o próprio Cazaquistão, que são mais distantes, no sistema planejado, planificado, puderam receber esse investimento econômico. Se tem mil pessoas morando naquele lugar, por exemplo, serão criado tantos mil empregos naquele lugar. Se não tem estradas, vai ser criadas, se não tem iluminação, vai ser criada, mesmo incorrendo em uma queda econômica, porque o interessante é ter que desenvolver aquele lugar para criar tantos empregos naquele ponto. Então, no meu ponto de vista, o sistema planificado, ele beneficiou alguns países que não faziam parte do centro econômico. Agora, corrupção existiu. A igualdade que se queria, não existiu. A cúpula socialista se beneficiou gigantescamente do poder que tinha. Investiu-se muito em tecnologia espacial, e não se investiu na modernização e num crescimento para a população, e isso foi muito ruim para o mundo socialista.

Diego: Durante algumas décadas, os soviéticos disputaram com os Estados Unidos a condição de maior economia internacional, em período que ficou conhecido como Guerra Fria, mas as constantes crises econômicas derrubaram a União Soviética, no final de 1991. No seu ponto de vista, quais foram as principais causas que levaram a nação soviética ao fim?

Russo: Foram vários fatores que levaram ao fim da União Soviética. Um, a corrupção desenfreada. A cúpula do poder fazia um gasto gigantesco da sua infraestrutura, o mundo fechado, sem informação da população, transformou o regime em algo desacreditado, tanto que criou-se, já no final do regime socialista, então, quem vai assumir, vai ser o Gorbatchev. Quando o Gorbatchev assume o governo, ele percebe que o mundo socialista já estava completamente falido, e aí, então, propõe duas coisas, uma, que é a Perestroika, e a outra, que foi a Glasnost. A Glasnost era muito importante, que foi uma abertura política para as pessoas então entenderem o que estava acontecendo, a crise era iminente, e a Rússia, ela quebrou então em 1991. Em 1989, quebrou o Muro de Berlim, então, o mundo já estava em colapso, a Glasnost foi a grande abertura política, e a Perestroika seria uma grande reestruturação econômica, para poder colocar a Rússia, a União Soviética, nos eixos socialistas. Não queria se romper com o socialismo, só que não houve como se fazer essa remodelação. Na hora em que foi feita a abertura política, a população se revoltou, e começaram então as revoltas populacionais, e aí levou o mundo ao colapso. Então, a corrupção, um dos grandes problemas do mundo socialista. A cúpula não atendia, o sistema econômico da Rússia não atendia às necessidades da população. Os desvios de verbas eram gigantescos, a população estava desacreditada do sistema, havia uma grande ditadura, e quem reclamava contra o governo, era preso, torturado, então, foram vários, inclusive, investimentos elevados em armamentos. Investiram em tecnologia espacial, a Mir, por exemplo, que é a primeira base de suporte humano, fora do planeja, que quer dizer paz, consumia recursos bilionários, e isso foi quebrando o sistema econômico da União Soviética. Ela foi à falência, ela mesmo se implodiu própria, e a corrupção dentro do próprio governo.