sábado, 21 de agosto de 2010

Entrevista com José Fritsch

José Fritsch
Foto retirada do site do PT-SC, na matéria PED 2009

Data da entrevista: 06/07/2010

Diego: Com a chegada de Lula ao governo federal e a escolha de Ideli Salvatti ao senado, a ex-líder sindical ganhou expressividade política e projeção em nível nacional, sendo a indicada pelo PT como candidata ao governo, com boas chances de vitória. Quais os principais fatores que impulsionaram o crescimento petista em Santa Catarina?

Fritsch: Em primeiro, a unidade interna do PT. Nós conseguimos construir, nesses últimos dois anos, um projeto de unificação interna, construção partidária, para que pudéssemos chegar na convenção, no processo eleitoral, já com candidaturas construídas, seja a candidatura de Ideli Salvatti para o governo, como também a do Cláudio Vignatti. Com esse trabalho sendo feito pela sigla, nesse último um ano e meio, quase dois anos, nós conseguimos transferir um pouco essa unidade interna, esse sentimento de unidade interna nos últimos meses, para o conjunto dos demais partidos. Então, hoje nós temos oito agremiações que estão coligadas conosco, e que construímos todo esse projeto nos últimos seis meses, sem nenhum stress e problemas internos, como tantas outras coligações hoje têm. Nós conseguimos fazer essas duas coisas, e isso credencia. Quem tem uma unidade interna, tanto nos partidos, como também nas candidaturas, consegue fazer com que a perspectiva seja mais possível. E no momento que agregamos aquilo que estava dentro da nossa estratégia, de ter um empresário de uma região importante de Santa Catarina, que compusesse a vice, isto ajuda muito para o processo nosso da campanha eleitoral.

Diego: Com grande força no cenário nacional, o PT pela primeira vez aparece com chances de vencer as eleições em Santa Catarina, quando não possuía uma candidatura forte, tendo com José Fritsch, em 2002, o resultado mais expressivo. Até que ponto a chegada do PT ao Palácio do Planalto pode ajudar na candidatura de Ideli Salvatti?

Fritsch: Eu acho que o governo Lula, que nós ajudamos a construir, eu, que fui candidato ao governo, e por menos de 2% não fui governador naquela ocasião, mas ajudei a construir essa gestão, quando fui ministro da pesca, a Ideli foi a nossa senadora, então, tudo isso que nós construímos com o presidente Lula, com certeza vai ter influências positivas na campanha da Ideli Salvatti, e mais ainda, ela se elegendo governadora. As ações do governo federal e as políticas do governo federal, que Santa Catarina deixou de utilizar, deixou de se aproveitar, desse momento que o governo Lula viveu, e vive nesses oito anos de governo, nós poderemos implementar no governo da Ideli, e com certeza, vamos ter esse estado, em nosso governo, uma ofensividade muito grande, para fazer com que as realizações de hoje, em nível nacional, colocando o governo Lula na condição de uma liderança mundial, atualmente, nós possamos estar fazendo que Santa Catarina resgate o seu papel, de ser um estado protagonista nas políticas públicas, porque não podemos continuar tendo um dos piores estados em saneamento básico, em tratamento de esgoto, como possuímos hoje. Isso é uma conseqüência de governos que não se preocuparam com o futuro do nosso povo, eles só se preocuparam com o presente, ou no máximo a sua reeleição.

Diego: Durante o período pré-eleitoral, os petistas vetaram qualquer tipo de aliança com o DEM, um dos principais adversários da agremiação no plano federal. Por que o partido não busca diálogo com os democratas visando acordos de parceria?

Fritsch: Os Democratas, principalmente o partido hoje, comandado em nível nacional pelo Jorge Bornhausen, foi o partido que conduziu a política desses últimos anos que causou o desastre econômico do Brasil. Nós já recorremos três, quatro vezes ao Fundo Monetário Internacional (F.M.I.) para salvar o Brasil, e eles quem se diziam competentes, que sabiam governar. Os problemas econômicos, a inflação, o não crescimento da economia, crescimento do emprego, o não investimento na infraestrutura, em habitação, tudo isso tem a marca dos governos deles, enquanto que o governo Lula é exatamente ao contrário, então, para que nós vamos associar, conversar com quem causou a tragédia do Brasil? Vamos estar junto com quem construiu esse projeto que apenas está começando, e com certeza a Dilma vai continuar, e depois nós vamos ter mais seis, sete anos, ou 10 anos na continuidade desse projeto, desta política e estratégia, que vai trazer os grandes benefícios para o Brasil, que eles, que governaram tantos anos, não conseguiram trazer e construir isso para o país. Construíram para alguns, mas não para todo o povo brasileiro, como hoje está acontecendo com o governo do presidente Lula.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Entrevista com Flavio Bernardes

Flavio Bernardes
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 15/07/2010

Diego: Presente no governo desde 2003, aliado ao PMDB, o PSDB já esteve coligado com o PT e o PDT, em 1994, aliando-se a Amin e Bornhausen quatro anos depois, juntando-se com os peemedebistas em 2002, vencendo as eleições. Quais são os principais critérios que vocês levam em consideração ao formar as coligações?

Flavio: Inicialmente, é a inovação, que cada partido apresenta e tem como projeto, ao que hoje, nós como cidadãos, como pessoas, que vivem em sociedade, tem perspectiva de vida, gostaria de ver o melhor para a população, e para os seus familiares, é fugir daquela mesmisse, daquele continuísmo que nós tínhamos até alguns anos atrás. Surgiu, em 2002, um candidato ao governo, no caso do Luiz Henrique, com uma proposta inovadora, que criava as secretarias de desenvolvimento regional, ou seja, com o objetivo de levar o poder público mais próximo da população, e isso, evidentemente, aliada as nossas pretenções e aos nossos objetivos partidários. Eu sou do PSDB, e a social-democracia é a nossa bandeira, priorizar o coletivo em detrimento do individual, nós resolvemos, assim dessa forma, coligar com o PMDB na oportunidade, e tudo o que aconteceu, nesse período, foi uma revolução na estrutura administrativa, no governo do estado de Santa Catarina. Eu, na condição de funcionário público, há 36 anos, nunca percebi e vivenciei um momento tão diferente, era sempre, como eu falei, o continuísmo. Dessa forma, como o PMDB veio com a proposta de regionalização, de desenvolvimento regional, é um dos critérios e motivos pelos quais o PSDB simpatiza, e vem de acordo com os nossos interesses, em função da comunidade, para o bem dela.

Diego: Nesses quase oito anos da gestão Luiz Henrique, os peesedebistas ganharam espaço no cenário estadual, conquistando algumas das principais prefeituras de Santa Catarina. Neste ano, Leonel Pavan assumiu o governo, já que Luiz Henrique deixou a administração para concorrer ao senado, dando maior visibilidade ao PSDB. Quais os pontos positivos para o partido estar no poder estadual?

Flavio: São vários. O PSDB, antes de coligarmos com o Luiz Henrique, do PMDB, era um partido pequeno. Ele era musculoso, mas minúsculo. Nós tínhamos poucos deputados estaduais, federais, e, de lá para cá, os benefícios que trouxeram foram muitos. O partido evoluiu, na sua ideologia, na sua filosofia, e conseguiu eleger muito mais deputados estaduais, federais. Hoje nós temos seis deputados estaduais, e estamos com um deputado federal, então, já elegemos vários, em outras oportunidades, como no caso de 2006, quando elegemos um deputado federal, que agora saiu da sigla, infelizmente, mas o PSDB continua crescendo.

Diego: Durante o período pré-eleitoral, o PSDB evitou qualquer tipo de aliança com o PT, principal adversário da sigla no plano federal. Por que o partido não busca diálogo com os petistas visando acordos de parceria?

Flavio: É até por uma questão de personalidade e de caráter. Eu acho que devemos separar o joio do trigo. Tudo o que vocês estão vendo, que está aí, que a população está vendo, o presidente, hoje, é manipulado, é dirigido, é orientado por outros, ele não tem voz própria. Ele é um sujeito carismático, mas administrativamente, para dirigir uma nação como a nossa, o Brasil, um dos maiores países do mundo, nós merecemos e precisamos de projetos sociais, e não de favores. O que está acontecendo hoje, o bolsa família, incentivam, motivam as pessoas mais carentes, com mais dificuldades, a não evoluir na vida, a não estudar. Quanto mais filho, melhor, ganhando um pequeno percentual, não há uma concorrência, eles não disputam com ninguém, eles não têm interesse. O que a vemos no Nordeste é uma pobreza só, e por que isso? O que esse governo deveria fazer e deveria ter feitos nesses oito anos? Investir maciçamente em educação, emprego e renda. Educar, profissionalizar as pessoas, e não fazer o que está fazendo. Além disso, olha o que o PT fez, e não é do desconhecimento de ninguém. Mensalão, dinheiro na cueca, e outras coisas que nem devemos citar. Mas está aí, todo mundo viu e sabe. Temos que mudar, crescer, ir para frente, e não ficar na mesmisse. Então não há como coligar com o PT, não tem acordo enquanto eles estiverem com essa ideologia, com esse modo de administrar, é humanamente impossível de nós sentarmos na mesma mesa e conversar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Entrevista com Edson Luis Macari

Edson Luis Macari
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 15/07/2010

Diego: Depois de muitas conversas com PT, DEM e PSDB, os peemedebistas vão ficar ao lado dos democratas, contrariando a decisão de muitos integrantes. Como saiu a aliança com os democratas?

Macari: Na verdade, é uma demonstração clara de que os partidos, em geral, e de uma forma quase que universal, são capitanias e têm donos, como é o caso aqui de Santa Catarina. A solução encontrada para este pleito atendeu especialmente e particularmente a uma situação que interessava a um dos grandes mandatários da sigla. Resolvido o impasse com relação ao projeto pessoal, o que sobrou do PMDB, como unidade política e histórica, restou acompanhar essa decisão, sem entrar nas questões ideológicas e na própria história do partido, porque, na verdade, essa aliança que governou o estado nos últimos oito anos, foi também resultado de um grande trabalho político, de base, em que o MDB, agora PMDB contribuiu, e muito, para modificar o panorama da gestão política do estado. O que prevalecia era o comando semi-oligárquico, ou oligárquico, com base em duas ou três famílias, donatárias das decisões políticas, e, com isso, hoje, evidentemente houve uma pulverização, o cenário é diferente, mas para os militantes históricos do PMDB, há um gosto de passado requintado com tudo isso, e, certamente, a par da capacidade de articulação, imensurável, de alguns desses grandes líderes das agremiações agora aliadas, o fato é que boa parte da militância vai tomar uma decisão de última hora, de último momento, e, certamente vai dificultar muito o trânsito da decisão dessas eleições, sendo o PMDB um eventual fiel nesta balança. Na minha percepção, e aqui é uma opinião pessoal, essa aliança, e a forma como ela foi conduzida, especialmente nesses últimos seis meses, ou último ano, e com os acontecimentos todos, conseguiram empanar essa decisão, conseguiram trazer problemas para essa decisão, na verdade, eles conseguiram, com isso, facilitar muito a campanha eleitoral dos adversários. Eu não me surpreenderia, se essa eleição fosse decidida no primeiro turno, e com vitória de outra agremiação, que não a dessa aliança.

Diego: Na esfera nacional, os desentendimentos internos, levando inclusive alguns integrantes da sigla a declarar voto para candidaturas adversárias, causou mal-estar dentro da agremiação peemedebista. Como as lideranças partidárias tentarão contornar esses problemas?

Macari: Novamente vem a cena, a questão do domínio das siglas partidárias, por verdadeiros donatários, mas o fato que é incontestável, é que a base e militância, do PMDB, historicamente, sempre foi de rebeldia, contra decisões de âmbito nacional, em que a questão da história do partido, do ideário partidário, se não fosse considerado, sempre se rebelou. Não é, por acaso, que em Santa Catarina, ocorreu uma das maiores contestações no cenário político, na Ditadura Militar. Já houveram embates nacionais, com relação a indecisões internas do partido, de alianças, de apoio ou não, e o fato incontroverso, é que um partido, do porte do PMDB, alijado há várias eleições da campanha majoritária para presidência, passa a ser um fiel de balança, vai se jogar para quem tiver a melhor proposta de apoio e de acordos, e não seria diferente aqui em Santa Catarina, mas, o que pode surpreender, é que a par da costumeira decapitação de novas lideranças, eventualmente surgem outras, e quem sabe, pode-se ressurgir, ou surgir, desse enfrentamento que se aproxima, um novo PMDB, e aqui, também de forma pessoal, eu penso que nós seremos surpreendidos pela dinâmica dos que hoje são nossos opositores, na formatação de alianças paralelas, e tal, sem deixar também, de poder considerar o efeito da popularidade do atual presidente da república, que certamente vai influenciar, e muito, alguns episódios de aliança a nível nacional e regional, mas, Santa Catarina costuma, eventualmente, apresentar uma forma de contestação muito própria, e talvez seja essa a única surpresa que se espera da próxima eleição no estado.

Diego: Durante o período pré-eleitoral, os peemedebistas vetaram qualquer tipo de aliança com o PP, principal adversário da sigla no plano estadual. Por que a sigla não busca diálogo com os progressistas visando acordos de parceria?

Macari: Só um fator pode explicar essa resistência, que é a própria história, e o passado político das duas agremiações e dos seus componentes. O que o PMDB do passado questionava, era da condução personalíssima, da sigla hoje progressista, por este ou daquele representante, mas o fato, é que isso hoje deixa de ser também um fator a ser muito considerado, porque coerência não é hoje um princípio predominante nessas alianças, e, se o passado já foi importante para a gente se orientar para um futuro, o fato é que hoje precisamos construir uma nova gestão política, lembrando que, a par do atraso sistemático que Santa Catarina apresentou ao longo dos anos, em termos de estadistas, que realmente conseguisse alavancar o estado, com um lugar neste pódio, que ele tanto merecia, nós temos hoje, fatos verdadeiramente gritantes com relação à infraestrura, só para falar no aeroporto. Não é por acaso que Santa Catarina foi excluída de eventos esportivos internacionais, por absoluta incapaidade física de acolher essa grande movimentação, por falta de estrutura. Alguma coisa foi feita nesse sentido, mas não mudou a questão do atraso, e lembrando, que Santa Catarina tem uma belíssima inserção no ponto de vista educativo, como os últimos indicadores assim descortinaram, ao mesmo tempo, convive com o atraso sistemático, falando, por exemplo, com relação ao saneamento básico. Segundo alguns informes, o estado ocuparia a penúltima posição em termos de sistemas de coleta e tratamento e destinação de esgoto no país, e isso contrasta com essa ideia progressista, que tem um dos melhores índices na questão da educação básica. Precisa sim uma nova liderança, e que saiba tornar esses desafios, apresentar propostas dinamizadoras, e possa soterrar, no passado, o que de mau foi feito até hoje, e, quiçá, o catarinense saiba fazer a melhor escolha e que tenhamos melhor sorte.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Entrevista com Silvio Dreveck

Silvio Dreveck
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 08/07/2010

Diego: Quando saiu do governo, em 2002, os progressistas firmaram-se como um dos principais grupos de oposição ao governo do PMDB, adversário histórico no estado. Até que ponto uma sigla de grande expressão perde fora de uma coalizão governista?

Silvio: Nós temos no Brasil, um país democrático, onde um vai ser o vencedor o outro o perdedor, ou seja, quem decide é o eleitor, através do voto. Nós, quando perdemos a eleição, em 2002, ficamos com a obrigação de ficar na oposição. Essa decisão foi democrática, através do voto. Quando se perde, é muito relativo. Quem está no governo, tem a obrigação de fazer em favor da população. Nós, como oposição, cabe alertar a população, fiscalizar o governo, reivindicar, cobrar as políticas públicas que o governante não executa. Portanto, no que diz respeito a execução, quem está no poder político, tem a obrigação de fazer, e quem está na oposição, tem o papel de orientar, fiscalizar e acompanhar a população. Então, no aspecto político, dizer quem perdeu e quem ganhou, quem está no governo tem a obrigação de fazer e certamente tem suas benesses, quem está na oposição, perde nesse aspecto, da administração, que tem o dever de executar, mas também tem o reconhecimento da população quando o governo vai mal, então, nós temos colhemos os nossos frutos no trabalho de oposição.

Diego: Depois de integrar o governo Luiz Henrique, o PDT lança nesta eleição o candidato a vice na coligação com os pepistas. Como surgiu a aliança com os pedetistas?

Silvio: O nosso partido tomou uma decisão, quando iniciamos as coligações, e o único partido que nós não tínhamos como objetivo de coligar, não contra as pessoas, mas por ser histórico, o nosso concorrente, que é o PMDB. Os demais partidos, todos eles, nós estávamos conversando, para quem quisesse coligar conosco, não concorda com o atual governo, e o PDT, foi um partido que veio conosco, por disconcordar com a política do governo estadual, além de suas outras razões internas, da sigla, em relação ao candidato à presidência da república, foi um convite nosso e uma decisão do PDT, que nos levaram a fechar esta coligação.

Diego: Durante o período pré-eleitoral, os progressistas vetaram qualquer tipo de aliança com o PMDB, adversário histórico da agremiação no plano estadual. Por que o partido não busca diálogo com os peemedebistas visando acordos de parceria?

Silvio: Nós não temos como fazer uma coalizão de tantos partidos. Você imagina, se nosso partido ainda se unisse ao PMDB, ao PSDB e ao DEM, praticamente nós iríamos acabar com a democracia em Santa Catarina. Então, como eu disse, não fomos escolhidos na eleição, e nem na reeleição, portanto, nos coube a responsabilidade de dar uma alternativa ao eleitor catarinense, em escolher por continuar com o governo que está, ou uma alternativa ou outra proposta, por isso que não coligamos com o PMDB, por conta desse fato, e também por sermos concorrentes históricos, e isso é democraticamente bom.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Entrevista com César Souza Júnior

César Souza Júnior
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 06/07/2010

Diego: Durante esses quatro anos, a sigla trocou o nome de PFL para DEM, buscando uma nova identificação com o eleitorado. Quais os pontos fortes e fracos dessa mudança?

César Jr.: Os pontos fortes que buscamos, com a sigla DEM, modernizar o partido, não só a mudança no nome, mas também que ela possibilitasse o acesso de novas lideranças. O Democratas, sobretudo em Santa Catarina, tem novas lideranças muito representativas, como os deputados estaduais Jean Kuhlmann e Gelson Merísio, o próprio deputado federal Paulo Bornhausen, temos prefeitos jovens, como o caso dos prefeitos Mamão (Rafael Laske), de Joaçaba, e Milton Hobbus (Rio do Sul), e o próprio Raimundo Colombo, que em relação ao governo é uma novidade. Essa era a intenção, dar uma arejada no partido, até que o comando passasse para essas lideranças mais jovens. O ruim, é principalmente em relação àqueles mais antigos, mais acostumados com a sigla PFL, que era também uma sigla forte, que se desacostumaram um pouco com a mudança. Mas acredito que o saldo final da modificação, mais pela questão das novas lideranças e menos pela mudança de sigla, é que foi favorável.

Diego: Na eleição passada, os ainda liberais deixaram o grupo de oposição para integrar a base governista, indicada pelos eleitores para permanecer na administração pública. Em 2010, os democratas passam a liderar a aliança de coalizão, em torno de Raimundo Colombo. Qual a importância para o partido estar a frente do bloco situacionista?

César Jr.: Foi uma relação que foi construída principalmente pelas bancadas estaduais, a aproximação com o PMDB foi uma ação da tal polialiança, que culminou com a reeleição do Luiz Henrique e com a eleição de Raimundo Colombo pelo o senado, e foi positivo. Eu acho que no multipartidarismo brasileiro, onde há tantas siglas, é essencial para garantir essa governabilidade que se tenham coligações. É muito difuso o quadro partidário brasileiro e essas alianças são legítimas. Creio que foi um governo bem sucedido, e que agora tem a reedição dessa aglutinação partidária catarinense, em torno do nome do senador Raimundo Colombo.

Diego: Durante o período pré-eleitoral, os democratas vetaram qualquer tipo de aliança com o PT, principal adversário da agremiação no plano federal. Por que o partido não busca diálogo com os petistas visando acordos de parceria?

César Jr.: Como eu coloquei antes, é fundamental que tenhamos posições partidárias, mas não pode haver também uma mudança radical. Democratas e petistas ocupam uma posição bastante díspar, do ponto de vista programático. Por isso eu creio que não podemos nos furtar ao diálogo. Aqui na Assembleia, por exemplo, tenho uma boa relação com a bancada do PT, mas fazer junto um projeto, já é uma salada partidária muito grande, então, diálogo construtivo sim, agora, estar junto em um projeto, aí vamos acabar fazendo com que o eleitor não consiga compreender que duas siglas visões de estado tão distantes, acabem se unindo. Dialogar sim, construir junto com o PT, realmente não é possível.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alianças partidárias

As principais mudanças ocorridas no plano das coligações desde a retomada das eleições diretas no estado

Desde o retorno das eleições diretas, em 1982, o processo eleitoral passou por inúmeras mudanças. A mais acentuada foi entre as agremiações partidárias. Dentre as principais siglas, não houve coalizões entre PT e DEM (antigo PFL), e PMDB e PP (antigo PDS). Em 1994, PT e PFL apoiaram Paulo Afonso Vieira contra Ângela Amin, no 2º turno, mas os petistas ficaram na oposição após o pleito, enquanto os liberais apoiaram o peemedebista durante boa parte do mandato.

Um partido que integrou diferentes alianças, foi o PSDB. Em 1990, teve candidato próprio na corrida pelo governo, aliando-se com o PMDB na disputa pelo senado. Quatro anos depois, integrou a Frente Popular, apoiando Nelson Wedekin, então no PDT, aliado também a PT, PC do B, PPS e PSB, dentre outras siglas de esquerda. Na disputa seguinte, integrou a coligação Mais Santa Catarina, com PPB (atual PP) e o PFL, grupo vencedor em torno da candidatura de Esperidião Amin. Nas duas eleições de Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, os peesedebistas tiveram os melhores resultados, ganhando espaço no cenário eleitoral catarinense, com a indicação de Leonel Pavan ao senado, em 2002, obtendo significativo crescimento da sigla nos últimos anos.

O PRB (Partido Republicano Brasileiro) e PR (Partido da República) foram o antigo Partido Liberal (PL). Os liberais estiveram durante anos com os pefelistas, aliando-se ao PT em 2002, em aliança muito questionada e discutida na época, principalmente por militantes históricos da agremiação petista. Em âmbito nacional, Lula chegou ao poder e foi reeleito em 2006, com boas possibilidades de emplacar Dilma Rousseff neste ano.

Duas mudanças neste quadro foram destacadas pelo cientista social e jornalista Cláudio Prisco Paraíso. Prisco destaca a união do antigo PFL com o PMDB nas eleições de 1994, quando Jorge Bornhausen apoiou Paulo Afonso e integrou a gestão do peemedebista, e, em 2006, quando juntou-se com Luiz Henrique, saindo do grupo de oposição. Nas eleições de 2002, o ex-prefeito de Joinville foi eleito com a bandeira da descentralização, além de criticar o modelo oligárquico no estado, em alusão as famílias Amin e Bornhausen. Quatro anos depois, aconteceu a aliança entre ambos, com a reeleição do peemedebista e a chegada de Raimundo Colombo ao senado. Mas, de acordo com o jornalista, a mudança mais acentuada foi entre o PT, de Ideli Salvatti, com o PP de Esperidião e Ângela Amin. Petistas e progressistas, adversários históricos, trocaram apoios em 2006, com os pepistas recebendo o apoio do grupo trabalhista na esfera estadual, enquanto nas eleições federais, Lula foi apoiado pelos antigos adversários.

Até meados da década de 1990, havia uma união mais alinhada entre as siglas, com alianças mais direcionadas ao plano ideológico, os segmentos de esquerda coligados às agremiações que defendiam as mesmas bandeiras, de esquerda (socialistas), centro (sociais-democratas) e direita (liberais e progressistas). Porém, nos últimos 10 anos, conforme Prisco, ocorreu uma geleia geral, “um samba do crioulo doido”, confundindo o eleitorado, devido as alianças entre agremiações defendendo ideais completamente distindos.

domingo, 15 de agosto de 2010

Eleições 2010

Nesta reportagem, o blogueiro realizou algumas entrevistas, com políticos, jornalistas e profissionais ligados ao assunto.

Os temas abordados foram as alianças partidárias, as principais reformas a serem feitas no sistema eleitoral, e uma entrevista com Luiz Henrique Fogaça, assessor de imprensa do deputado Décio Góes, falando sobre a rotina de um jornalista nas atividades parlamentares.

Cronograma das matérias produzidas e entrevistas realizadas

16/08/2010: Alianças partidárias
As principais mudanças ocorridas no plano das coligações desde a retomada das eleições diretas no estado

17/08/2010: Entrevista com César Souza Júnior

18/08/2010: Entrevista com Silvio Dreveck

19/08/2010: Entrevista com Edson Luis Macari

20/08/2010: Entrevista com Flávio Bernardes

21/08/2010: Entrevista com José Fritsch

22/08/2010: Entrevista com Sargento Amauri Soares

23/08/2010: Entrevista com Paulo César Wilpert

24/08/2010: Entrevista com Dércio Knop

25/08/2010: Entrevista com Anésio Hammes

26/08/2010: Entrevista com Cláudio Prisco Paraíso

27/08/2010: Entrevista com Celso Martins

28/08/2010: Entrevista com Sérgio Rubim (Canga)

29/08/2010: Entrevista com Samir Machado

30/08/2010: Reformas no sistema eleitoral
Parte 1: Partidos políticos

31/08/2010: Reformas no sistema eleitoral
Parte 2: Sistema eleitoral

01/09/2010: Entrevista com Décio Góes

02/09/2010: Entrevista com Joares Ponticelli

03/09/2010: Entrevista com Sérgio Luiz Ferreira

04/09/2010: Entrevista com Nelson Maurílio Coelho Junior

05/09/2010: Entrevista com Thiago Quadros

07/09/2010: Entrevista com Luiz Henrique Fogaça
O trabalho do assessor de imprensa nas atividades parlamentares

domingo, 8 de agosto de 2010

Disputas internas podem custar caro para a Red Bull



O que vem acontecendo na Red Bull, nesta temporada, é fato que aconteceu em outras ocasiões na Fórmula 1, na qual as disputas entre companheiros de equipe custaram títulos, principalmente no campeonato de pilotos.

A Williams passou por essa situação duas vezes. Em 1981 e 1986, mesmo conquistando o caneco entre as escuderias, o time de Grove não levou entre os compedidores. Nelson Piquet, correndo pela Brabham em 1981, aproveitou-se da briga envolvendo Alan Jones e Carlos Reutemann e saiu campeão, passando pela mesma situação cinco anos depois, novamente na associação dirigida por Frank Williams, desta vez com o brasileiro e o britânico Nigel Mansell, favorecido pela equipe. Assim, Alain Prost, correndo pela McLaren, foi o beneficiado, faturando o segundo dos quatro títulos que conquistou na Fórmula 1.

Em 2007, foi a vez da equipe de Woking ver o título ficar nas mãos da concorrência. O espanhol Fernando Alonso, com o status de campeão mundial, teve que disputar a atenção da equipe com o então estreante Lewis Hamilton. No fim, Kimi Raikkonen, que tinha defendido a McLaren até o ano anterior, foi para a rival Ferrari e ganhou o troféu no Brasil, tirando uma desvantagem considerável nas duas corridas finais, ganhando de Alonso e Hamilton por apenas um ponto.


Neste ano, a Red Bull, com o carro mais rápido do grid, vem conquistando poles e voltas mais rápidas, mas não vem traduzindo a mesma superioridade na tabela de classificação. Dois incidentes ascenderam o sinal de alerta na escuderia comandada pelo milionário austríaco Dietrich Mateschitz. A primeira foi na Turquia, quando Sebastian Vettel colidiu com Mark Webber quando tentava passar o companheiro, abandonando a disputa e rebaixando o austríaco ao 3º lugar, dando a vitória de presente para Lewis Hamilton e Jenson Button, da McLaren. Na Inglaterra, mais polêmica. Na largada, Vettel teve um pneu furado e acusou o colega de causar o estrago, comprometendo a corrida do piloto alemão, enquanto o australiano, após vencer a etapa, proferiu a frase “nothing badly for second driver”, em português, “nada mal para um segundo piloto”, reclamando dos benefícios concedidos ao companheiro durante os treinos de classificação, no dia anterior.

Os touros vermelhos têm uma grande vantagem em relação aos adversários neste ano, mas os incidentes caseiros trazem na cabeça dos espectadores e torcedores o famoso “já vi esse filme antes”, podendo jogar pela janela uma conquista provável por causa também da falta de comando dos dirigentes, não impondo os limites necessários nas disputas internas.

Leia também:
Blog Fórmula 1 (Tomás Motta): Disputas internas podem custar caro para a Red Bull

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Renault fornecerá motores para a Lotus em 2011

Parceira da companhia fundada por Colin Chapman entre 1983 e 1986, montadora francesa voltará a trabalhar com a Lotus no próximo ano

A Renault, que fornece motores para a própria escuderia e para a Red Bull, voltará a trabalhar com a Lotus em 2011, passando a distribuir os propulsores a três equipes, assim como a Mercedes, que, além do time da fábrica, tem a McLaren, sócia da marca alemã até o fim de 2011, e a Force India como clientes.

Com isso, os franceses retornam a parceria feita na década de 1980, na era turbo, que durou entre 1977 e 1988, iniciada pela marca gaulesa. Entre 1983 e 1986, a Lotus recebeu da Renault os propulsores, conquistando 19 poles, sendo 15 com Ayrton Senna, três com Elio de Angelis e uma com Nigel Mansell, em Dallas, 1984, na corrida em que o britânico desmaiou tentando carregar o carro, sem combustível, até a linha de chegada. Vitórias, foram cinco, quatro com Ayrton Senna e uma com Elio de Angelis, em San Marino, 1985, quando Alain Prost foi desclassificado.

Foi a bordo da Lotus, equipada com os motores franceses, que Ayrton Senna conquistou as primeiras poles e vitórias na Fórmula 1. A primeira, foi em Portugal, em 1985, quando sob chuva, largou na frente e manteve-se na dianteira até o final.

Leia mais:

Lancenet: Renault será fornecedora de motor da Lotus

domingo, 1 de agosto de 2010

Mark Webber vence na Hungria

Equipe Red Bull retoma liderança entre pilotos e equipes com vitória do australiano

Em corrida sem grandes emoções, Mark Webber venceu, beneficiado pela punição ao companheiro Sebastian Vettel, que ao ajudar o colega de equipe, deixou uma distância superior a 10 carros, quando o safety car entrou na pista. Vettel teve que passar pelos boxes, perdendo a 2ª colocação para o espanhol Fernando Alonso.

Ferrari novamente como segunda força

Pela segunda corrida consecutiva, a escuderia de Maranello conseguiu terminar com seus dois pilotos entre os quatro melhores. Felipe Massa, apesar de cair para 5º lugar com a entrada do carro de segurança, ganhou uma posição com o abandono de Lewis Hamilton.

McLaren e Mercedes discretas

Em um final de semana ruim, apenas Hamilton deu alguma chance para a equipe de Woking. O agora vice-líder, com problemas no carro, abandonou quando era 4º colocado, enquanto Jenson Button, com uma atuação apagada, largou em 14º e chegou apenas em 8º lugar. Outra com rendimento abaixo da média, foi a Mercedes. Nico Rosberg parou após uma atrapalha nos boxes, perdendo o pneu no corredor, ficando pelo caminho, e Michael Schumacher, apareceu apenas nas voltas finais, quando foi ultrapassado por Barrichello, ficando em 11º lugar.

Renault e Williams competitivas

Com ambas equipes levando os dois carros a parte final dos treinos de classificação, a equipe francesa e a de Grove conseguiram somar pontos, com atuação destacada de Petrov e Hulkemberg. O russo foi 5º colocado, a frente do alemão. Kubica teve um incidente nos boxes, colidindo com a Force India de Adrian Sutil. Rubens Barrichello trocou de pneu apenas nas voltas finais, conseguindo ainda ser 10º colocado, após uma disputa acirrada com Michael Schumacher.

Sauber pontua

Pedro de la Rosa, depois de um bom treino de classificação, terminou pela primeira vez nos pontos este ano, sendo 7º colocado, e o japonês Kamui Kobayashi, com a 9ª posição, fez dois pontos.

Brasileiros terminam a corrida

Com Felipe Massa levando a Ferrari ao 4º lugar, Rubens Barrichello em 10º, somando pontos, conseguiram bom desempenho. Sem carro para grandes pretenções, Bruno Senna, em 17º, e Lucas di Grassi, em 18º, conseguiram terminar a prova.

Resultados:

Pole: Sebastian Vettel, Red Bull Renault
M.V.: Sebastian Vettel, Red Bull Renault

Corrida:
1º) Mark Webber, Red Bull Renault
2º) Fernando Alonso, Ferrari
3º) Sebastian Vettel, Red Bull Renault
4º) Felipe Massa, Ferrari
5º) Vitaly Petrov, Renault
6º) Nico Hulkemberg, Williams Cosworth
7º) Pedro de la Rosa, Sauber Ferrari
8º) Jenson Button, McLaren Mercedes
9º) Kamui Kobayashi, Sauber Ferrari
10º) Rubens Barrichello, Williams Cosworth

Classificação:

Mundial de Pilotos
1º) Mark Webber, 161 pontos
2º) Lewis Hamilton, 157 pontos
3º) Sebastian Vettel, 151 pontos
4º) Jenson Button, 147 pontos
5º) Fernando Alonso, 141 pontos
6º) Felipe Massa, 97 pontos
7º) Nico Rosberg, 94 pontos
8º) Robert Kubica, 89 pontos
9º) Michael Schumacher, 38 pontos
10º) Adrian Sutil, 35 pontos
11º) Rubens Barrichello, 30 pontos
12º) Vitaly Petrov, 17 pontos
13º) Kamui Kobayashi, 17 pontos
14º) Vitantonio Liuzzi, 12 pontos
15º) Nico Hulkemberg, 10 pontos
16º) Pedro de la Rosa, 6 pontos
17º) Sebastien Buemi, 6 pontos
18º) Jaime Alguersuari, 4 pontos

Mundial de Construtores
1º) Red Bull Renault, 312 pontos
2º) McLaren Mercedes, 304 pontos
3º) Ferrari, 238 pontos
4º) Mercedes, 132 pontos
5º) Renault, 106 pontos
6º) Force India Mercedes, 47 pontos
7º) Williams Cosworth, 40 pontos
8º) Sauber Ferrari, 23 pontos
9º) Toro Rosso Ferrari, 10 pontos