quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Entrevista com Marize Lippel

Marize conta sobre como era a realidade florianopolitana, os acontecimentos e as questões em torno da democriacia atual
Marize Lippel
Foto: Diego Wendhausen Passos


Data da entrevista: 19/05/2009


Diego: Como era a cidade na época?
Marize: Florianópolis era uma cidade tipicamente constituída do setor público, e principalmente as manifestações que eram originadas, na época, do movimento estudantil. Ele tinha uma grande parcela e contribuía como um movimento reivindicatório, tanto ligados a movimentos nacionais, como locais. Era através do movimento estudantil que a classe manifestava. Afinal, estávamos vindo de uma época de Ditadura Militar, as manifestações eram proibidas e acabou se criando uma cultura do silêncio. Ela era exercida plenamente pelo poder local, em que a grande maioria da população de Florianópolis, assim como do país inteiro. Falando em Florianópolis, como era uma cidade constituída principalmente de servidores públicos e estudantes, vindos da Universidade Federal de Santa Catarina e da estadual, mas principalmente da Federal, tinha essa característica bem típica, bem própria, porque era uma cidade bem pequena.

Diego: No ano de 1979 tivemos vários mudanças, o começo do governo Figueiredo, a anistia política, o fim do bipartidarismo e o surgimento de novas siglas como PT, PDT, a reintegração do PTB, e a Novembrada, que foi o episódio que começou, foi praticamente o começo do fim da ditadura. Como foi aquele período, como vocês se organizaram? Foram só os sete estudantes ou teve muito mais gente envolvida?

Marize: Na verdade a organização partidária ela existiu depois, naquele momento mesmo éramos os estudantes, mas cada um já tinha as próprias ideologias, já se constituíam com suas filosofias, direcionando-se para os futuros partidos políticos. Então, dentro do movimento estudantil já tinha essa divisão bem clara, cada linha específica já era originada da filosofia das agremiações partidárias até então.

Diego: E como foi o episódio, o Figueiredo sendo xingado, querendo partir para a briga com os manifestantes?

Marize: O episódio em si ele não se destaca por um só foco, ele é muito mais amplo. A manifestação decorreu de uma forma pacífica, inicialmente, que era para ser assim, em que os movimentos organizados, declaravam seu repúdio a atual situação que o país vivia, inflação, final da ditadura militar e o período de repressão que viviam as pessoas frente a todas as dificuldades sociais, aos grandes problemas dessa inflação galopante que a população vivia. Então ele não é um movimento focal, ele existiu, era a vontade do Diretório Central dos Estudantes de se manifestar. Na vinda do gestor maior da nação, que é o presidente da república, sobre a situação que o país vivia. A transformação desse movimento pacífico em uma manifestação desordenada, descontrolada, no qual houveram alguns tumultos, ela se deu também pela irresponsabilidade dos gestores. Hoje eu me considero adulta, e, tanto pelo presidente da república, como do governador local, que não souberam contornar o problema. Em momento algum conseguimos visualizar as pessoas que estavam envolvidas em toda a manifestação como pessoas responsáveis, que sabiam exatamente qual era o seu papel na hora de um tumulto. Então, em decorrência disso, é que realmente houveram os acontecimentos. Eu tenho certeza absoluta, cada vez mais, até por que estava presente na manifestação em frente ao palácio do governo, visualizando todas as manifestações gesticuladas corporalmente pelo presidente da república, então na época o presidente Figueiredo, e do próprio governador do estado de Santa Catarina, na época o Jorge Bornhausen, e a postura deles foi a pior possível. Uma postura realmente de pessoas que não têm nenhuma disciplina para poder agir em um momento como esse.

Diego: E os sete presos, eles foram escolhidos pelo próprio governador?

Marize: Na verdade os sete presos nada mais eram do que líderes estudantis, lideravam movimentos que existiam na sociedade. Todos participavam do movimento comum em prol das eleições democráticas, favorável à anistia nacional, movimento da anistia internacional, e da reconstrução da União Nacional dos Estudantes. Todos eram pessoas, cidadãos, e já estavam envolvidos em alguma frente de contestação da Ditadura Militar. Então, não foi uma coisa focal, foi por que estavam os sete estudantes na manifestação que eles resolveram prender os sete manifestantes, tanto é que eu posso falar pela minha pessoa tanto é de que quando um dos primeiros interrogatórios na Polícia Federal, quando estive presa, exatamente o que eu vi foram fotografias minhas e dos demais colegas, em várias manifestações estudantis, e isso prova de que eles estavam nos perseguindo sorrateiramente já fazia muitos anos, muito tempo, fazendo com que nós fossemos tratados como bode expiratório naquela ocasião específica.

Diego: Atualmente ainda tem repressão, ou melhorou?

Marize: Na verdade, o que a gente pode dizer é que houve uma grande contribuição, não só dos sete estudantes desse movimento, como também de outras pessoas, durante toda a jornada de luta política nesse país para que hoje tivéssemos liberdade democrática. Nós temos liberdade democrática? Temos liberdade democrática sim, na medida que podes se manifestar publicamente e sem necessariamente no outro dia saber onde é seu paradeiro. Na época, não sabíamos se sobreviveríamos na prisão. Atualmente, sabemos que as coisas não são desse jeito. Organizações já fundamentadas que podem proteger um cidadão quando ele está no caso após se manifestar, ser preso. Então, essa liberdade democrática existe, podemos dizer. Agora, se fores mais longe, vai questionar um pouco, vai dizer o seguinte: que liberdade é essa? Democrática, que se fala. E nós sabemos que o poder da mídia responde para o patrão, e hoje em dia, é o capital. E quando respondes para aquele que tem o capital na mão, ele só vai deixar as notícias saírem se forem direcionadas para um benefício do seu negócio. Então, a Rede Globo, hoje em dia, perfeitamente sabemos que as notícias que saem são de interesses da empresa, assim como os outros canais também. A Folha de São Paulo, que durante um certo tempo, foi um ícone na área do jornalismo, como defensora dos Direitos Humanos e Políticos, sabemos que hoje em dia defende as ideias e as transmite, veicula através do seu veículo, os assuntos que são do próprio interesse. Aquela que não vende jornal, não dá direito a marketing, oferece risco financeiro e econômico a ela, não são veiculadas. Então, isso é liberdade democrática? Continuamos a poder veicular aquilo que realmente é verdade. Então, através até da mídia eletrônica, vemos que as pessoas têm mais acesso a informação. A informação, ela consegue se contextualizar melhor, e por isso manifestar-se também.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Divulgada numeração das equipes para 2010

A FIA anunciou ontem a lista e a numeração das equipes que participarão do próximo mundial de Fórmula 1.

Jenson Button, campeão pela Brawn GP, levará o número 1 para a McLaren, que estamparia os números 5 e 6. A Mercedes, que adquiriu a atual campeã, ficará com o 3 e o 4.

Felipe Massa apareceu com o carro nº 7, Rubens Barrichello, com o nº 9, e Bruno Senna, pela Campos Dallara, o nº 21.

Com a desistência de BMW e Toyota, Williams e Renault ficaram com numeração menor. A ex-patrocinadora da Brawn, a Virgin, será o nome da equipe Manor.

O critério para numeração nos carros é com base no mundial de construtores do ano anterior, sendo que a equipe defendida pelo atual campeão, leva o número 1.

Confira a numeração

McLaren Mercedes
1- Jenson Button
2- Lewis Hamilton

Mercedes
3- Nico Rosberg
4- a definir

Red Bull Renault
5- Sebastian Vettel
6- Mark Webber

Ferrari
7- Felipe Massa
8- Fernando Alonso

Williams Cosworth
9- Rubens Barrichello
10- Nico Hulkemberg

Renault
11- Robert Kubica
12- a definir

Force India Mercedes
14- Adrian Sutil
15- Vitantonio Liuzzi

Toro Rosso Ferrari
16- Sébastien Buemi
17- a definir

Lotus Cosworth
18- a definir
19- a definir

Campos Dallara Cosworth
20- a definir
21- Bruno Senna

US F1 Cosworth
22- a definir
23- a definir

Virgin Cosworth
24- Timo Glock
25- a definir

Fontes:
F1 na Web
IG Grande Prêmio
Terra Esportes

Censura x Liberdade de Expressão

O debate em torno das liberdades de expressão

A Novembrada foi um marco histórico para Florianópolis, tanto em nível regional como nacional. Em novembro, completará 30 anos do acontecimento de uma das maiores manifestações populares na capital, dando à cidade um destaque nunca visto na mídia até então, o que contribuiu para o fim do período militar e uma nova ordem política no Brasil. Com o retorno do sistema democrático em 1985 e a nova Constituição, três anos depois, os brasileiros ganharam direitos antes controlados pelo poder público, na teoria. Mas a questão, na prática, fica em torno da liberdade democrática, diante de casos como a Revolta da Catraca em 2004, quando estudantes protestaram contra o constante aumento nas tarifas de ônibus.

A mídia publica aquilo que interessa

Lideranças estudantis envolvidas diretamente na Novembrada em 1979, quando foram presas e enquadradas na antiga Lei de Segurança Nacional, Marize Lippel e Rosângela de Souza (Lelê) destacam as conquistas e direitos democráticos adquiridos na Constituição de 1988, embora o poder público e veículos de comunicação divulguem apenas os interesses particulares e interfiram em alguns casos, noticiando conteúdos que não comprometam determinados grupos ou empresas.

Marize recorda que havia uma cultura do silêncio no país imposta pelos representantes políticos, e a maioria das manifestações contra o governo. Os movimentos eram promovidos por estudantes universitários, ligados a grupos estudantis. Embora a Novembrada tenha contribuído para termos maior liberdade e participação na sociedade atual, a grande mídia ainda controla as informações. “Eles publicam aquilo que é de interesse da empresa”, diz Marize, destacando a participação jornalística da Folha de São Paulo como um ícone na defesa dos Direitos Humanos e Políticos na época dos militares, mas atualmente o jornal paulista defende e transmite as ideias que interessam ao veículo.

Para Rosângela, as conquistas no campo das liberdades individuais ocorreram, porém as classes menos favorecidas são pouco respeitadas nos seus direitos como cidadão. “As conquistas são inegáveis, embora o aparelho repressor do estado burguês brasileiro esteja mais ativo que nunca”, aponta, destacando os casos da greve dos motoristas no governo Paulo Afonso (estadual) e Ângela Amin (municipal) e o movimento do passe livre na gestão de Luis Henrique (estadual) e Dário Berger (municipal). De acordo com Lelê, no campo político os métodos agressivos raramente são utilizados, mas, ao invés de reprimir os movimentos sociais, o poder público utiliza a mídia para criminalizá-los.

Muitas informações ainda são controladas

Mesmo sem a censura prévia do estado, muitas informações são controladas na mídia. O jornalista Moacir Pereira afirma que, mesmo com a plena liberdade de informação, as restrições permanecem e são ditadas normalmente pelo poder econômico e pela ação política. "O pluralismo da mídia é alicerce fundamental para manter e aprimorar o estado democrático de direito", conclui.

César Valente diz que a democracia é o embate das várias forças que tentam se impor, e a liberdade de expressão no país depende da obediência à Constituição e outras leis. De acordo com César, as informações são divulgadas pelos interessados, citando os casos de paralisação no transporte de ônibus como pressão política, servindo como causa de ressonância dos grupos melhor organizados.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Novembrada: 30 anos depois

Foto: Diego Wendhausen Passos
Acervo: Biblioteca Pública de Santa Catarina

A revolta popular que mexeu com Florianópolis


Passados 30 anos da Novembrada, movimento que contribuiu para o fim do regime militar em 1985, quando o país voltou a ser administrado pelos civis e a sociedade brasileira obteve os direitos democráticos com a constituição de 1988 com a volta das eleições diretas para presidente em 1989.

Implantado em 1964, o período ditatorial foi marcado pela perda dos direitos de liberdade de expressão e de imprensa. O Presidente da República era escolhido através de votos de deputados federais e senadores. Milhares de pessoas foram mortas por defenderem uma sociedade justa e democrática, diante da Lei de Segurança Nacional. A partir de 1973, com a crise do petróleo, o “Milagre Econômico” caiu
por terra.

João Baptista Figueiredo assumiu a presidência em 1979, ano em que também marcou a Anistia a muitos presos políticos e o pluripartidarismo, possibilitando a criação de novas agremiações partidárias. Mas, as condições econômicas e sociais eram desfavoráveis para grande parte da população. No mês de novembro, foi agendada a visita de Figueiredo a Florianópolis, para divulgar a construção da Sidersul (Siderúrgica do Sul), em Imbituba e prestar uma homenagem ao Marechal Floriano Peixoto pelos 90 anos da república, contrariando diversas pessoas e escritores da capital, já que o militar foi o responsável pelo massacre do Anhatomirim em 1894, durante a Revolução Federalista. Durante a semana da visita, o reajuste no preço dos combustíveis aumentou a insatisfação popular contra o governo, tornando mais tenso o ambiente.

No dia 30, sexta-feira, a expectativa era grande, pela primeira vez um re
presentante da nação visitara Florianópolis. Um carro oficial conduziu Figueiredo do Aeroporto até o Palácio Rosado, no centro da cidade. Durante o trajeto mulheres batiam panelas pedindo comida. Nas solenidades, algumas crianças cantavam “Figueiredo, Figueiredo”. Jorge Bornhausen, então governador de Santa Catarina, iniciou os discursos e logo foi vaiado pelos funcionários públicos. Rosângela de Souza conta que Bornhausen foi chamado de mentiroso pelos estatutários, dando início ao tumulto. O esforço dos palacianos foi em vão, as palavras de ordem aumentavam sob “chega de sofrer, o povo quer comer”, irritando Figueiredo. Ao aparecer na sacada, fez um sinal com o dedo polegar e o indicador, depois classificou os revoltosos como “um pingo de gente”. Como a maioria interpretou seu gesto como obsceno, começaram a ofendê-lo.

Ao escutar sua mãe sendo insultada, Figueiredo, extremamente exaltado, foi tirar satisfações com os manifestantes, causando uma confusão generalizada. Marize Lippel conta que Figueiredo agiu de maneira irresponsável, querendo revolver a situação no tapa. Durante o café no Senadinho, ou Ponto Chic, mais discussões com manifestantes e troca de socos entre policiais, membros do governo e as pe
ssoas na Felipe Schmidt, quando foi empurrado no carro oficial para não ser linchado durante a confusão, sendo conduzido ao churrasco oferecido pelo governo catarinense em Barreiros, Distrito de São José.

Sete estudantes, vinculados ao DCE da UFSC, foram presos
e enquadrados na Lei de Segurança Nacional. No dia 02 de dezembro de 1979: Marize Lippel, Rosângela de Souza, Geraldo Barbosa, Amilton Alexandre (Mosquito) e Newton Vasconcellos. Já Adolfo Luiz Dias e Lígia Giovanella, respectivamente presidente e vice do Grêmio Estudantil, fugiram para o interior do estado, com medo de serem torturados, entregando-se dia 5 seguinte. Marize recorda que eles foram apontados e eram visados pelo poder público, por liderarem seus respectivos grêmios estudantis. Durante mais de um ano, responderam ao processo na 5ª Região Militar, em Curitiba, sendo absolvidos em fevereiro de 1981, por falta de provas.

Após o episódio, cada um seguiu um caminho. Adolfo Dias falec
eu em 29 de janeiro de 1999, vítima de tumor. Lígia Giovanella atualmente trabalha na Fundação Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Rosângela de Souza é advogada em Florianópolis, ligada as causas trabalhistas e sociais. Marize Lippel trabalhou mais de 20 anos no Samae, em Blumenau, e atualmente trabalha na Diretoria de Vigilância Sanitária, na capital. Newton Vasconcellos é médico na capital catarinense. Geraldo Barbosa é sociólogo e professor universitário. Amilton Alexandre, o Mosquito, depois de administrar o Bar Havana, uma loja de informática e pestar serviços pela Eletrosul, é titular do Blog Tijoladas.

Homenagem a Floriano Peixoto e falta de diplomacia do governo provocaram o tumulto

O historiador Nelson Maurílio Coelho Junior destacou a crise econômica e social que o mundo enfrentava, diante das altas quantias em empréstimos contraídas pelos militares em busca de obras públicas, aumentando a dívida externa brasileira. No contexto internacional, a crise do petróleo, causada pelos conflitos entre os países árabes e israelenses, em 1974 e 1979. Em protesto, os estados árabes, líderes da Opep, aumentaram o preço do combustível buscando uma solução para a disputa, inviabilizando a venda do produto.

Local onde ficaria a placa em homenagem a Floriano Peixoto
Foto: Diego Wendhausen Passos

Nelson frisou que as denúncias de corrupção começaram a ganhar força e tornar a situação política ainda pior. Havia indiferença contra a população, que não participava das discussões e não tinha liberdade de manifestar-se contra os representantes políticos. “A população não tinha participação, não havia transparência, não tinha informação de nada do que acontecia, tudo era proibido, nada era permitido”, completou o historiador.

Outro fato que influenciou a crise foi a placa em homenagem ao general Floriano Peixoto, responsável pelo massacre do Anhatomirim, em 1984, levando centenas de catarinense à morte, no episódio conhecido como Revolução Federalista. A capital mudou o nome de Desterro para Florianópolis, contrariando muitas pessoas até a atualidade. “Foi uma homenagem que o Jorge Bornhausen e o prefeito da época fizeram para o presidente da época e a população não gostou nada dessa homenagem”, falou Nelson.


Marize Lippel recorda que a manifestação decorreu de forma pacífica, declarando o repúdio à situação que o país vivia diante das dificuldades sociais, inflação galopante. De acordo com Marize, o presidente e o governador não souberam contornar o problema. “A postura deles foi a pior possível, de pessoas que não tem a menor disciplina”, completou.

Leia mais

Clic RBS:

Especial Novembrada

O dia em que Santa Catarina desafiou o poder

Entrevista com Lígia Giovanella e Marize Lippel

Placa de homenagem a Floriano Peixoto (Depoimento de Nilo Marques)

Relato de Moacir Pereira

Entrevista com Nelson Wedekin


Conversa com Moacir Loth (jornalista agredido pela polícia)

O trabalho na televisão: Walter Souza

O senadinho e o general: Edy Tremel

Cotidiano - Curso de Jornalismo da UFSC

Novembrada

Ricardinho Machado (Guia Floripa)

domingo, 29 de novembro de 2009

Novembrada: 30 anos depois

Cronograma com a publicação dos trabalhos produzidos pelo blogueiro sobre a Novembrada

Novembrada: 30 anos depois

30/11/2009: Texto Novembrada 30 anos depois
Um resumo sobre os acontecimentos no dia 30/11/1979

01/12/2009: Censura x Liberdade de expressão
Os debates em torno das liberdades democráticas

02/12/2009: Entrevista com Marize Lippel
Marize conta sobre como era a realidade florianopolitana, os acontecimentos e as questões em torno da democracia atual

03/12/2009: Entrevista com Rosângela de Souza
Lelê analisa os acontecimentos e analisa as questões sociais e democráticas no Brasil

04/12/2009: Entrevista com Geraldo Barbosa
Geraldo destaca das mudanças sociais e políticas que o país necessitava e quais ainda precisam

05/12/2009: Entrevista com Lígia Giovanella
Lígia lembra do trabalho como vice-líder estudantil e analisa a questão da censura há 30 anos e na atualidade

06/12/2009: Entrevistas com Nelson Maurílio Coelho Junior e Marco Antônio Mattos
Nelson relata sobre o tema, e Marco Antônio, da experiência como integrante do exército na época

07/12/2009: Entrevistas com Moacir Pereira e César Valente
Um relato da visão dos jornalistas Moacir Pereira e César Valente sobre a Novembrada

08/12/2009: Entrevistas com Sérgio Rubim e Jurandir Camargo
Ambos falam da cobertura que fizeram pelo Jornal O Estado, veículo que trabalhavam

09/12/2009: Entrevista com Walter Souza
Walter Souza fala da cobertura que fez pela RBS TV, onde atuava como repórter

10/12/2009: Entrevista com Valter Severino
Valter lembra o trabalho que realizou pela equipe segurança do governo

11/12/2009: Entrevista com Celso Martins
Celso faz uma análise do período de repressão, Operação Barriga-Verde e Novembrada, comparando aquele período com a atualidade

12/12/2009: Entrevista com Ana Carla Pimenta
A jornalista fala do Trabalho de Conclusão de Curso sobre o tema e do interesse em transformar o projeto em documentário

13/12/2009: Perfil de Amilton Alexandre
Um olhar sobre o Mosquito, envolvido na Novembrada e atual titular do Blog Tijoladas

sábado, 28 de novembro de 2009

NOVEMBRADA: SUBLEVAÇÃO POPULAR PÕE A DITADURA EM XEQUE

Fonte: Sérgio Rubim (Canga)




Por Olsen Jr.

Começou em 1968, na França. Os operários em greve tiveram a adesão dos estudantes universitários. Cada movimento com reivindicações próprias, mas unidos.

Depois se alastrou pelo mundo. A motivação poderia ser diferente, mas havia sempre um gancho. Nos EUA foi o Vietnã, no Brasil, a morte do estudante Edson Luís no Restaurante “Calabouço” que causou comoção nacional e desembocou na Passeata dos Cem Mil, a maior manifestação civil contra a ditadura vista até então.

Na Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália, Tchecoslováquia, Polônia, os levantes estudantis que se espalharam pelo planeta fizeram de 1968 um ano que entrou para a história como símbolo de insatisfação e também de utopia.

Tanto nos países comunistas quanto nos capitalistas, o grande fantasma que assombrava o status quo era a “fusão das lutas” de estudantes e trabalhadores, como ressaltou Remi Kauffer do Instituto de Estudos Políticos de Paris.

No Brasil a saturação foi dando-se aos poucos, nos dez anos que antecederam a visita do então presidente João Batista Figueiredo a Florianópolis no episódio conhecido como “Novembrada”. Teve a morte do operário Manoel Fiel Filho, sob tortura, somadas com a do jornalista Vladimir Herzog, igualmente, e que punham sob suspeita os métodos de manutenção da ordem pública alegados pelo governo.

Houve a exoneração do ministro do exército, Sylvio Frota que foi desautorizado com o ato a antecipar o procedimento sucessório ao presidente da república, na época o General Ernesto Geisel. O fato acabou tornando público a chamada “linha dura” dentro das Forças Armadas. Um grupo que era refratário ao processo de “Abertura política” que contava com amplo apoio da sociedade civil organizada e principalmente dos estudantes. Aliás, estes preferiam que tudo acontecesse com maior rapidez.

Com a edição do AI-5 e conseqüente, fechamento do Congresso Nacional, o regime atingiu o paroxismo em termos de cerceamento da liberdade.

Foi o presidente Figueiredo (que sucedeu Geisel) o encarregado de levar adiante a propalada “Abertura” que deveria ser lenta, gradual e irrestrita.

O mesmo mandatário que afirmou: “O povo é massa de manobra”; que disse preferir o cheiro de cavalo ao cheiro de gente, mas também havia dito que quem fosse contra a “Abertura” “...Eu prendo e arrebento”.

No dia 30 de novembro de 1979 celebrando os 90 anos da República foi marcada a visita do presidente Figueiredo à Florianópolis. Embora o AI-5 tivesse sido revogado, e o País caminhasse lentamente para uma democracia, o processo ainda levaria tempo e havia uma insatisfação permanente não só com o cerceamento de algumas liberdades, mas algumas questões de ordem econômica que não se resolviam.

Os universitários, através do DCE – Diretório Central dos Estudantes, resolveram fazer um protesto em frente do Palácio Cruz e Sousa. O que deveria ser uma festa acabou em tumulto quando se pretendeu homenagear o patrono da cidade, o “Marechal de Ferro”, Floriano Peixoto, persona non grata para os catarinenses por ter mandado fuzilar centenas de pessoas (que eram contrárias à República) na Ilha de Anhatomirim.

O confronto dos manifestantes como presidente do Brasil ganhou repercussão internacional e certamente favoreceu o processo de reabertura democrática no País.

Para satisfazer ao pedido do presidente, de que os “culpados” deveriam ser presos, alguns estudantes sofreram um processo de enquadramento na Lei de Segurança Nacional, mas foram posteriormente absolvidos. Minha homenagem aos amigos Adolfo Dias (in memoriam), Amilton Alexandre e Rosangela de Souza.

Os estudantes sempre tiveram um papel importante no destino do Brasil, está lá na obra “O Poder Jovem”, do amigo Arthur José Poerner, aqui o meu respeito também àqueles que não se intimidaram diante da barbárie, o que tornou até esse texto possível!

Nota do Blogueiro:
Também presto minha homenagem aos estudantes que lutaram pela nossa democracia. Ao Adolfo, que não conheci, ao Mosquito, além da Lígia, do Geraldo, da Rosângela, nossa Lelê, e a Marize.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mercedes anuncia Nico Rosberg

Piloto alemão era presença quase certa na nova escuderia

Depois de muitas especulações, especialmente com a transferência de Rubens Barrichello à Williams, a Mercedes anunciou, enfim, a contratação de Nico Rosberg para a próxima temporada.

Para a segunda vaga, o nome mais cotado é o de Nick Heidfeld, que no começo da carreira foi patrocinado pela montadora germânica.

Outro nome falado é o do ex-campeão Michael Schumacher, também subsidiado pela Mercedes antes de ingressar na Fórmula 1.

Fontes:
F1 na Web
Grande Prêmio - Brawn volta a rechaçar Schumacher, mas Haug promete "boa notícia"
Grande Prêmio - Mercedes confirma contratação de Rosberg para temporada 2010

domingo, 22 de novembro de 2009

Eventos sobre os 30 anos da Novembrada

Eventos que serão realizados sobre os 30 anos da Novembrada nesta semana

Evento promovido pelo Departamento de Sociologia Política, da UFSC

Sessão solene na Câmara dos Vereadores de Florianópolis


Livro Abaixo as Ditaduras, escrito por Lédio Rosa de Andrade


Fontes:


Sérgio Rubim (Canga)
http://cangarubim.blogspot.com/2009/11/o-nosso-hino-mais-bonito.html

Celso Martins (Sambaqui na Rede 2)
http://sambaquinarede2.blogspot.com/

Tijoladas do Mosquito
Novembrada 30 anos – Dia 30 às 19 h na ALESC – Desembargador Lédio Rosa de Andrade – ex-lider e militante estudantil, lança livro “Abaixo as ditaduras”
NOVEMBRADA 30 ANOS (1979-2009) Eu estava lá!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Mercedes voltará com equipe própria em 2010

Após muitas especulações, montadora alemã adquire 75% da Brawn
Com apenas um ano de existência na Fórmula 1, a escuderia Brawn dará lugar a Mercedes, que depois de 55 anos volta a contar com equipe própria. A cor dos carros será o prateado, marca registrada nos carros de corrida.

Parceira e sócia da McLaren desde 1995, a marca das três pontas continuará fornecendo seus motores até 2015, devolvendo os 40% das ações que detinha com o time de Woking, isso após 2011. Ron Dennis falou também da separação do McLaren Group do McLaren Automotive, que produzirá a própria linha de carros esportivos de alta performance.

Quanto aos pilotos, Lewis Hamilton está confirmado para correr com os ingleses em 2010. Jenson Button, Nick Heidfeld, Nico Rosberg, Kimi Raikkonen e Heikki Kovalainen disputam as outras três vagas.
Leia mais:
IG: Grande Prêmio

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Conversa com Sérgio Bello

Sérgio Carneiro Bello é um integrantes da Barca do Livro, situada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Contador de estórias, o professor trabalha com projetos voltados à leitura e contos.


Professor Sérgio Bello
Foto: Diego Wendhausen Passos


Diego: Conte seu perfil como contador de história.

Sérgio: Sou um contador de histórias da oralidade. Isto quer dizer que me "aproprio" do conto para recontá-lo com minhas palavras, numa performance cênica minimalista, ou seja, procuro contar como quem conversa. Tenho desenvolvido uma reflexão aprofundada acerca da natureza do texto da oralidade, suas diferenças e semelhanças com a escrita, as modalidades da linguagem verbal oral e escrita, seus aspectos de complementaridade e especificidade.

Diego: Como membro da Barca dos Livros, você está lutando para mantê-la como opção aos leitores da região da Lagoa, e de outras partes de Florianópolis. De que forma você acha que os governantes poderiam ajudar a instituição?

Sérgio: A Barca dos Livros, como um projeto permanente de formação de leitores, necessita de subvenções permanentes. Não podemos ficar "de pires na mão", garantindo o funcionamento do próximo semestre, algumas vezes, nem isto. Captar recursos desvia muito de nossa capacidade de realização das atividades-fim: é necessário elaboração de projetos e percorrer uma verdadeira "via crucis" pelos gabinetes governamentais ou empresariais.

Diego: Em meio aos problemas financeiros, a Barca dos Livros corre o risco de encerrar suas atividades. Qual a importância da instituição para a localidade?

Sérgio: Desenvolvemos um trabalho que deveria ser encarada como função do Estado e apoiadapor toda a sociedade civil: inclusão cultural e formação de leitores. A Biblioteca Barca dos Livros é reconhecida pelo Ministério da Cultura como projeto modelo para o Brasil, de biblioteca formadora: é consenso, entre os especialistas no assunto, que não basta colocar o livro ao alcance da população se não há o hábito da leitura ou a cultura do livro.
Atendemos, atualmente, cerca de dois mil leitores/mês, e este número é crescente, e já nos tornamos uma referência na paisagem cultural da cidade.

Leia mais sobre a Barca dos Livros:
Blog Sambaqui na Rede, de Celso Martins, CLIQUE AQUI
Amantes da Leitura, CLIQUE AQUI