segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Festa do Divino 2018: Santo Antônio de Lisboa

A Festa do Divino Espírito Santo de 2018, realizada em Santo Antônio de Lisboa, iniciou, com a Divina Farinhada, no Engenho dos Andrade, no Caminho dos Açores. Culinária, música, religião e atividades culturais embalam o evento.

Na parte musical, o grupo Trio de Sambaqui, composto por André Berté, Julio Córdoba e Herlano Reis da Rosa iniciaram no palco. Formado há pouco mais de um ano, o vocalista André frisou que o conjunto trabalha com música autoral, criadas pelos próprios integrantes, e participa em atividades noturnas em bares, principais opções oferecidas em Florianópolis.

Na sequência, o Tons de Sambaqui, composto por Guilherme Cardozo no vocal, também participante da Banda Cruzzy, outra atração do evento, Clóves das Neves, no violão, Vinícius Cromianski, na percussão, e Herlano da Rosa, que também faz parte do Trio Sambaqui, na gaita de boca e na flauta. O grupo, que havia participado também ano passado, trouxe ao palco, clássicos da música internacional, com destaque para Creedence Clearwater, e do popular e rock nacional, com destaque para Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Titãs e Nenhum de Nós. Apesar da chuva, o público foi razoável.

A Associação Coral de Florianópolis, também marcou presença na edição de 2018, oferecendo um concerto açoriano. Servidor aposentado da Celesc e presidente da entidade durante mais de 10 anos, Luiz Gonzaga Azevedo frisou as participações do grupo em diversos eventos festivos e culturais, como a própria Festa do Divino, Festa da Laranja, entre outros eventos religiosos e festivos.


 Associação Coral de Florianópolis
Foto: Diego Wendhausen Passos


Presente há algumas edições no evento, a Banda Cruzzy contou com uma nova participante. A estudante universitária Tamyres Meyer, vocalista, moradora da Barra do Sambaqui entrou no conjunto no começo do ano. Tamyres contou que a paixão pela música vem desde a infância, quando tocava violão em casa, nas festas com o pai, passando na adolescência a cantar na Igreja no bairro, recebendo o convite do também vocalista da banda, Guilherme Cardozo.

Fundada em Santo Amaro da Imperatriz, e atualmente sediada em Palhoça, o Grupo Fronteiras embalou com o repertório sertanejo e letras tradicionais da música gaúcha. Elton Eder da Silva, proprietário do Fronteiras, pontua que seu grupo vai em qualquer evento que for convidado, como festas, formaturas, bailes e jantar dançante, e segue um repertório tradicionalista. A Banda Origins, de Curitiba, também marcou presença nos palcos do Divino. Thiago da Paz Vargas disse que o conjunto gosta das músicas que levantam o público, e das apresentações em festas populares e formaturas são as principais atividades que se concentram.

Marcada como encontro de moradores e ex-moradores da região, a festividade chamou atenção de pessoas que vieram morar na comunidade. A Administradora Financeira Eda Montanha Viegas, moradora de Santo Antônio neste ano, exaltou a divulgação e a preservação da cultura, indo ao evento para conhecer de perto. O casal Géssica Caroline da Silva, Técnica em Segurança do Trabalho, e o namorado, Arno Ribeiro da Silva, advogado, destacaram o ambiente e a familiaridade da festa, elogiando a organização e as atrações oferecidas ao público. Morador de Sambaqui desde a infância, o garçom Durval Cunha Martins participa desde criança, e vê a festa como uma confraternização para a comunidade. Moradora da Barra do Sambaqui e personagem histórica, a rendeira Rosa dos Santos Cruz, a Rosinha, vende os pães de massa há cinco anos, e há sete décadas não perde uma edição do evento. Rosinha conta que presenciou muitas mudanças ao longo dos anos, destacando a organização da festa, antigamente muito mais simples, e atualmente considera um luxo o evento, considerando a coroação da Nossa Senhora como o evento mais importante da festividade.

O historiador, filósofo e professor universitário, Sérgio Luiz Ferreira, pontua que a Festa do Divino do Espírito Santo surgiu na Idade Média, em Alenquer, pelo franciscano Joaquim de Fiore. Em razão da intensa atividade cultural, Sérgio pontua que o bairro tem “uma semana cultural intensa, valorizando a religiosidade e a cultura da ilha”.
Boi de Mamão do Pantanal
Foto: Diego Wendhausen Passos

Duas atrações culturais presentes são o Boi de Mamão, do Pantanal e de Sambaqui, como também o Olaria Pau-de-Fita. Fundado em 2002, Angela Maria da Cunha destaca a manutenção da cultura e do folclore de Florianópolis pelo pau-de-fita. Frequentador dos carnavais na região, Jefferson Luiz de Assis conta que apresentou mais de 10 vezes em Santo Antônio de Lisboa, pelo Boi de Mamão do Pantanal. O de Sambaqui, liderado pelo professor de Artes, Antônio Carlos da Cunha, Carlinhos, sintetizou as lutas que originaram o início do grupo, por interesses culturais e históricos, como a conquista do antigo casarão da Alfândega para a comunidade, que abriga também as rendeiras e diversas atividades ligadas ao folclore e preservação do patrimônio cultural.

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