domingo, 29 de agosto de 2010

Entrevista com Samir Machado

Samir Machado
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 08/07/2010


Diego: Nos últimos anos, os partidos políticos perderam a identidade ideológica, passando a coligar-se visando vantagens particulares, deixando de lado os princípios defendidos. Algumas coligações são muito questionadas, pois reúnem adversários históricos, como o PMDB junto com o DEM e o PDT aliado com o PP. Por que tem ocorrido essa salada ideológica?

Samir: Realmente os partidos perderam a sua identidade ideológica. Quase todos eles perderam quase toda a identidade ideológica. Por que razão que isso acontece? Por que não temos uma legislação eleitoral e político-partidária capaz de controlar esse tipo de ação. Em um país como o Brasil, cuja identidade histórica, em termos de participação popular, é quase inexistente, vamos dizer assim, você tem a possibilidade dos partidos estarem fazendo negociação com cargos e posições, entre outros. Isso acontece na gênese do próprio partido. Você veja que as agremiações, no Brasil, têm propriedade, digamos assim. São grupos que se assenhoraram das siglas, e indicam as pessoas que podem ou não se candidatar. Não basta ser filiado a um partido para se candidatar, precisa passar pelo crivo dessas pessoas. Não é à toa que você observa em nível nacional, estadual e no municipal, pessoas da mesma família que sucedem o pai, o tio, o avô. São verdadeiros feudos eleitorais. Nós temos exemplos disso não apenas no Nordeste, onde é típico o coronelismo até hoje, mas inclusive aqui no sul. Temos casos históricos, inclusive da família Ramos, Bornhausen, entre outras. E a razão de acontecer isso, na minha opinião, é pelo descaso do eleitor com o público, com o que é público. O eleitor brasileiro tem uma verdadeira mania, digamos assim, de criticar o poder público, mas na hora de participar, relega sua participação exclusivamente ao voto, que é obrigatório. Não basta você criticar, e eu até me penitencio, porque nós inclusive, que pertencemos a classe, digamos assim, mais instruída de pessoas, também temos esse vício terrível, de criticar e nada fazer.

Diego: Com um grande número de partidos, alguns defendendo os mesmos ideais, integram blocos distintos nas parcerias de chapa, sendo que alguns deles são chamados de siglas de aluguel, apenas para servir de apoio a determinado grupo. Quais os pontos positivos de uma reforma partidária, neste ponto?

Samir: Eu vou retornar a nossa primeira questão para responder essa pergunta. O que nós temos? Deixa de existir, quando é possível você negociar posições, mandos, poder político, e consequentemente, poder econômico, não tem mais escrúpulo para juntar a esquerda com a direita, ou o inimigo de hoje com o amigo de ontem, ou vice versa. O que acontece? Como eu havia falado, se você não tem uma legislação eleitoral, político-partidária que seja restritiva dessas possibilidades, sempre veremos essas excrescências no campo político. Precisaria ter sido aprovada uma nova legislação eleitoral, de partidos políticos, que está se tentando fazer neste país há 30 ou 40 anos, e não se consegue, porque você chega no Congresso Nacional, e encontra sempre as resistências dos mesmos grupos, não desejando que isso aconteça. Obviamente que vai ser muito difícil de você conseguir essa composição, mas, a exemplo do que já se discutiu, logo depois da constituinte, essa questão da reforma eleitoral e político-partidária, é de fundamental importância que sejam observados os modelos europeus, orientais, de sistemas de governo. O Brasil está muito atrasado nesse ponto.

Diego: Outro ponto que merece destaque, é a fidelidade partidária, tendo em vista que muitos representantes políticos são eleitos por uma sigla e migram para outra, buscando vantagens particulares. Algumas agremiações recuperaram na justiça o mandato de parlamentares por deixarem a associação em que foi eleito. Nesse ponto, o que precisaria ser modificado?

Samir: Nós temos uma característica interessante dos partidos no Brasil. O que você tem? O eleitor, brasileiro, ele já não é mais um eleitor partidário, mas foi. Se falarmos em UDN e PSD, vai ter uma época em que o eleitorado era um apaixonado pelos partidos. De certa forma, isso não existe mais hoje. Não há mais essa paixão partidária, primeiro, porque os programas partidários são extremamente semelhantes. Se pegarmos um programa de uma sigla que se diz de esquerda e de outra, que se diz de direita, ou de centro, você vai observar que toda a programática é muito parecida. A questão é como vai atingir aquilo que o programa prevê na sua ação governamental. Achávamos, e algumas pessoas ainda acham, em políticos que podem ser diferentes. O PT está no governo nos provando que os partidos não são muitos diferentes uns dos outros. Muitas coisas que eles criticavam quando eram oposição, estão fazendo ainda pior do que se fazia. Não estou aqui dizendo que o partido A avançou mais que o partido B na questão de governo. Agora, essa questão da representação popular, vamos dizer assim, eu acho que ela deve pertencer à agremiação partidária. Quando você tem partidos, cuja a linha ideológica, cujo o programa a democratização, dentro da própria estrutura exista, não é o caso do Brasil. Por isso é que se torna muito difícil admitir que as vagas sejam partidárias, porque o eleitor não está votando no partido, está votando no candidato. Isso é notório. Nós podemos observar isso se você perguntar para os eleitores sobre a sua preferência partidária, ou sobre a sua preferência por candidato, ele sempre declinará da preferência pelo candidato antes do partido. Talvez alguma pessoa um pouco mais esclarecida possa dizer que vai votar porque o partido pensa isso ou aquilo. Enfim, o que deveria funcionar efetivamente, era a vaga pertencente a agremiação partidária. Mas no Brasil isso é muito difícil de você permitir isso, porque as siglas são propriedades de pessoas e de grupos, e, fazendo isso, e às vezes elas utilizam de pessoas com notório conhecimento público, de pessoas famosas, para conseguir fazer um determinado número de acentos, e amanhã ou depois, eles expurgam essas pessoas, para adonar-se daquilo e colocar os seus, não é verdade? Das duas formas, você tem dificuldade. No caso brasileiro, eu acredito que esta regra, da vaga pertencer ao partido, não é uma regra muito honesta, vamos dizer assim, porque o eleitor brasileiro vota em candidatos, não em partidos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Entrevista com Sérgio Rubim

Sérgio Rubim - Canga
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 29/07/2010

Diego: O PMDB e o PT, agremiações que mobilizaram muitas pessoas no passado, chegaram ao poder político e não conseguiram trazer a tão sonhada moralidade pública e política, aliando-se, inclusive, com velhos adversários para chegar ao topo. Por que, em inúmeras ocasiões, as pessoas buscam chegar ao objetivo principal deixando de lado os bons valores, visando apenas os benefícios?

Canga: É o seguinte: o que eu penso sempre, em geral, é que o poder corrompe, sempre. Nós temos provas disso, pois os partidos que chegaram ao poder democraticamente, depois da ditadura, todos foram uma avalanche de corrupção. Não pode dizer, mais ou menos, a roubalheira é tudo igual. No caso do PMDB, ele se tornou o mais corrupto e fisiológico que existe neste país. O MDB era uma coisa, uma reunião de opositores à ditadura militar. Então, naquele momento se lutava, usava valores de se lutar contra a corrupção. Nós somos os puros, nós somos os bons, e vocês não são, era mais ou menos assim. Aquilo serviu em um determinado momento. Depois, quando vira PMDB e surgem os outros partidos políticos, aí a briga é outra e a sociedade também. Eu acredito até que as pessoas, e tem casos para citar. Pessoas moralmente boas, pessoas honestas, quando entram na política, e que já são raros ingressar, mas quando entram e querem se manter e se preservar como honestos e probos, eles não vingam, são afastados rapidamente. Tem o caso de um vereador em Florianópolis, que é um dos fundadores do PT, foi presidente da Associação dos Professores da UFSC, o APUFSC, e se elegeu vereador, era do PT, eu acredito que foi na época, há muitos anos, e os conflitos enfrentados por ele, dentro da câmara dos vereadores foram tão violentos, seríssimos, que ele teve uma síndrome de pânico, e veio a falecer mais tarde, pelos conflitos enfrentados pelos seus parceiros, as pressões para que aceitasse e se corrompesse, então eu acho que é praticamente impossível. O PT antes, eram os vestais da moralidade, quando lutavam e queriam chegar ao poder. Nenhum partido prestava, o PMDB não prestava, o DEM não prestava, o PFL, nenhum prestava. Eles é quem eram e queriam a honestidade, e está aí, chegaram ao poder, e estão fazendo pior que os outros. Não sei se tem pior, porque roubar é tudo a mesma coisa.

Diego: Nos últimos 10 anos, principalmente, as agremiações partidárias fizeram alianças até incoerentes no ponto de vista ideológico, visando apenas espaço político, confundindo o eleitorado, que perdeu a identidade com os grupos que simpatizavam. Por que aconteceram essas mudanças, e de que forma o sistema eleitoral precisa mudar para evitar essas coligações sem objetivo político-partidário?

Canga: A questão da reforma política, no Brasil, é um velho problema e todo mundo diz que vai fazer. O Lula diz que vai se empenhar, agora, para fazer a reforma, e ninguém faz porque não interessa isso. Os partidos são fisiológicos. É uma vergonha a legislação permitir, por exemplo, as pessoas trocarem de partido como quem troca de camiseta, de cueca, a qualquer hora. Veja hoje, por exemplo, o PT, aliado com a Roseana Sarney, com pessoas desse tipo, com os Berger em Santa Catarina, quer dizer, os partidos não têm mais ideologia. Eu acho bom, se não tiver ideologia, ao menos que tenham princípios e a um programa, mas nem isso eles seguem. Além de as pessoas poderem trocar de partido, migrando de um para outro, completamente distinto ideologicamente, dos seus princípios, e também, podendo coligar o da direita com o do centro, o da esquerda com o da direita, virou negócio. A política no Brasil é um negócio.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Entrevista com Celso Martins

Celso Martins
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 11/07/2010

Diego: Nas últimas eleições, tornou-se muito comum alianças entre partidos políticos de ideologias diferentes, como o antigo PL com o PT, do PPS com o DEM, deixando de lado os ideais defendidos pelas agremiações. O que tem motivado esses acordos nesses anos, principalmente depois da chegada petista ao poder federal?

Celso: Essas alianças, elas são até naturais que ocorram, inclusive entre agremiações que, se não tem no programa questões em comum, possuem adversários em comum. Os próprios programas, eles norteiam de um modo geral, a atividade político-parlamentar, mas acaba prevalecendo, na hora de uma votação, de uma tomada de posição, acabam prevalecendo, na maior parte dos casos, a vontade da pessoa, do indivíduo. Em raras exceções, existem decisões coletivas em torno de alguma causa, de alguma bandeira. Elas são sempre eventuais e pontuais. PSDB e PT, por exemplo, que encarnam as duas siglas, que polarizam hoje o processo eleitoral, em plano nacional. Se fizer uma boa pesquisa, vai se encontrar em alguns municípios, alianças entre tucanos e petistas, mas em função de uma realidade local que força essa aliança, e isso torna o programa partidário. Eu vejo, com exceção do PT, que na verdade nasceu do movimento social e procura representá-lo. A própria elite nacional não tem um partido que se diga, esse é o partido da elite, ou esses dois são os partidos da elite nacional, como nós temos em vários países da América Latina, em que dominam os conservadores ou os liberais, como havia no império brasileiro, a elite econômica, política, e mesmo intelectual, que na verdade, eles trabalham com esses dois elementos opostos, dois programas ou interesses opostos, porque existem setores importantes das elites nacionais, do empresariado, de lideranças empresariais que estão apoiando o PT, assim como existem outros, também importantes, apoiando o PSDB, apoiando o Serra, falando em plano nacional, então, esse me parece ser o fator motivador principal.

Diego: Após muitas movimentações, ameaças de intervenções dos diretórios federais nos estados, algumas coligações desagradaram inclusive integrantes das principais associações partidárias, podendo causar mudanças no quadro eleitoral. O que você considera que necessita mudar no atual sistema político?

Celso: Eu não sei. O próprio sistema político que está aí, acho que precisaria reformulado. Não se trata de pensar alguma mudança dentro do sistema político, o que é muito difícil, que nesse modelo dominante, as grandes questões nacionais que possam ser solucionadas. Eu acho que o sistema parlamentar de representação, da democracia representativa parlamentar, que está sendo colocado em xeque, e por vários movimentos sociais, na prática, e não se vê, não se acompanha uma resposta a altura, ao contrário. Questões ambientais, na questão do meio ambiente, do uso dos recursos naturais e da ocupação do solo, o próprio governo, as próprias estruturas do parlamento, o executivo tem procurado no possível, e respaldado, as alterações na área ambiental. Teve aqui em Santa Catarina, o novo código ambiental, que, de certa forma, estimulou essas modificações que querem fazer no código florestal. Vemos aqui, em Santa Catarina, neste momento, a tentativa de instalação desse estaleiro na Baía Norte, que segundo estudos, com a vinda do empreendimento, vão, dentro dois anos, extinguir as atividades de pesca e de maricultura na Baía Norte, e o que se vê hoje, são todas as lideranças partidárias, de todas as agremiações, a favor da instalação, em detrimento da questão ambiental, sob a alegação de que vai gerar emprego, vai gerar alguns mil empregos lá, mas vai desestabilizar todas as comunidades do entorno da Baía Norte, e isso eles não estão levando em conta, ou por ignorância, ou por má fé, e isso me preocupa. Não tem nenhuma voz, de nenhum dos candidatos ao governo do estado, fazendo qualquer questionamento na área ambiental, ao contrário, estão vendo investimento de milhões, que vão gerar empregos e sub-empregos, e o restante? E as comunidades do entorno? E o impacto social e urbanístico na Grande Florianópolis e em Biguaçu, o que isso vai provocar? Isso ninguém está vendo. Então, acredito que esse tipo de representação, que deveria ser a vanguarda das inovações, do planejamento, do pensar, do futuro, da cidade, das pessoas, isso está falhando. Alguma coisa vai ter que ser feita, alguma iniciativa vai ter que ser tomada para que se altere esse quadro, por que hoje, o que se tem, é um atira a primeira pedra e os outros todos atiram também. O meio ambiente não é uma questão de bandeira de modismo, é de qualidade de vida, e vai ser alterado. Imagina essas comunidades em torno da ilha, daqui a dois anos sem pesca? O que vai acontecer nestas comunidades? Isso me preocupa. Só complementando, as nossas elites de pessoas, que até um bom tempo atrás, conseguiram montar e executar um projeto de Brasil, um projeto de futuro, do Brasil, estão falhando, nesse caso. Estão falhando, e eu me questiono da capacidade desse sistema, que está hoje, de dar conta dessa enorme demanda que a sociedade coloca.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Entrevista com Cláudio Prisco Paraíso

Cláudio Prisco Paraíso
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 05/07/2010


Diego: Durante o período de negociações entre os partidos, visando as atuais coligações, você abordou bastante, em sua coluna, as movimentações ocorridas em Santa Catarina ao longo dos processos eleitorais, desde 1982. Na sua análise, quais foram as principais mudanças ocorridas ao longo desses anos?

Cláudio: Primeiro; nesses 28 anos, o PFL nasceu de um desmembramento do PDS, para apoiar o Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, já que o PDS era o partido do Paulo Maluf, que disputou contra o Tancredo. Então, ali surgiu o PFL, um apêndice do PDS. Uma das mudanças que mais chamou a atenção, mas nem tanto, foi a união do PFL com o PMDB, em 1994, com Paulo Afonso Vieira, e em 2006, com Luiz Henrique da Silveira. Essa foi uma mudança clássica, por quê? Quando o Luiz Henrique da Silveira se elegeu, em 2002, foi combatendo as oligarquias, a mesma oligarquia que o apoiou na reeleição, em 2006, leia-se, Jorge Bornhausen. Quer dizer, o mesmo Jorge Bornhausen, que ele condenou, em 2002, combatendo as oligarquias, ajudou a reelegê-lo em 2006. Então, uma mudança é essa, o PFL, que nasceu de um braço do PDS, acabou estando em 1994 e em 2006, com Paulo Afonso Vieira e Luiz Henrique da Silveira, com o PMDB. Agora, a mudança mais acentuada, sem dúvida nenhuma, foi do entrosamento, apoio branco, entre o PP e o PT. É bom lembrar, o PP é um resultado da ARENA, quando nós tínhamos no bipartidarismo, no período militar, o MDB, que era o partido de oposição, e a ARENA. Com o fim do bipartidarismo, veio o pluripartidarismo. Da ARENA, nasceu o PDS, o atual PP, e o PMDB, do MDB. Aliás, vale registrar também que o PSDB, assim como o PFL, em relação ao PDS, o PSDB desmembrou-se do PMDB, e surgiu um novo partido. O PSDB esteve com o Amin, em 1998, mas, em 2002, voltou para o PMDB. Esteve com o PT, em 1994, e, apesar de Fernando Henrique candidato, ele esteve com os petistas, apoiando o Lula da Silva, em Santa Catarina. Depois, em 1998, estiveram com o Esperidião Amin, depois, em 2002, com o Luiz Henrique, ou seja, o PSDB balançou muito. Mas o que mais chama a atenção, voltando a pergunta inicial, foi essa troca de apoios entre o PP, leia-se, ARENA, PDS, e o PT, de Lula da Silva, porque, em 2006, o Esperidião Amin, no 2º turno, apoiou Lula, e Lula, apoiou Esperidião. PP e PT trocaram apoio. Os pepistas apoiaram os petistas no nacional, que retribuíram no estadual. Isso, sem dúvida nenhuma, foi a mudança mais radical nesses 28 anos do restabelecimento das eleições, por quê? Porque Ideli Salvatti combatia vibrantemente Esperidião e Ângela Amin, e viraram parceiros, com a possibilidade de nesta eleição, com as candidaturas de Ângela Amin e Ideli Salvatti, contra Raimundo Colombo, a tendência é que Raimundo Colombo avance para o 2º turno contra uma das duas. A que chegar ao 2º turno, deve receber o apoio da outra, repetindo-se o que aconteceu em 2006.

Diego: Em relação a 2006, apenas o PDT mudou de coligação, deixando o grupo governista, migrando para o bloco opositor, juntando-se com os progressistas, enquanto as outras agremiações mantiveram-se praticamente nas mesmas composições, mesmo com diversos descontentamentos de alguns integrantes, em especial no PMDB. O que motiva a mudança de lado dos partidos, hora aliado a grupos governistas, outra, com correntes contrárias aos antigos aliados?

Cláudio: Infelizmente, as coligações no Brasil, e em Santa Catarina não é diferente, não seguem mais aquela linha do passado, do tempo do PSD, da UDN, do PTB, a questão programática, ideológica. Hoje não existe mais isso, é de acordo com a conveniência, o interesse. Basta ver que o PMDB e o PP, progressista, ficaram de um lado para outro, para ver com quem iriam estar, se estariam com Dilma ou com Serra, quer dizer, quem oferecer o melhor apoio e ver quem consegue a melhor composição, a melhor coligação, enfim, não tem mais aqueles parâmetros éticos, que presidiam as relações partidárias do passado, infelizmente não tem mais isso. O PDT é um exemplo, esteve coligado com o Luiz Henrique, em 2006, e agora está com Ângela Amin, quer dizer, tentou estar com o PT. Não deu por que a senadora Ideli Salvatti vetou o nome de Manoel Dias, e ele fechou com Ângela Amin. Não existe mais aquela orientação, o eleitor está absolutamente perdido em meio as coligações mais esdrúxulas que podem ter, é uma geléia geral, é um samba do crioulo doido, como costumamos dizer, porque dentro do estado, um partido está coligado com outro. No plano nacional, o PMDB é vice de Dilma Rousseff, com o Michel Temer, que é o presidente nacional do partido, só que em Santa Catarina, o PMDB está coligado com o PSDB e o DEM, que são os maiores opositores do governo Lula, que estão com o Serra. Realmente, o eleitor não compreende mais nada, acho que precisamos viabilizar, neste país, talvez não vejo interesse no congresso nacional para isso, uma ampla reformulação partidária, para que nós possamos ter uma meia dúzia de partidos que possam representar o conjunto de ideias da sociedade, e não 40 ou 50 partidos, muitos de aluguel, que para oferecer tempo de televisão para uma eventual coligação, negociam não só eleitoral ou partidariamente, mas também logisticamente, operacionalmente, financeiramente, ou seja, para oferecer tempo de televisão para um determinado candidato. Então, isso desvirtua a prática política e cada vez aumenta o desinteresse da opinião pública com a classe política, indiscutivelmente.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Rubens Barrichello: 300 Grandes Prêmios

Pela primeira vez, desde que a Fórmula 1 passou a ser disputada como campeonato mundial, em 60 anos, terá um piloto chegando a 300 Grandes Prêmios. Na categoria desde 1993, Rubens Barrichello passou por seis equipes nessas 18 temporadas, dois vice-campeonatos, 11 vitórias e 14 poles, é uma pessoa popular no certame. Há dois anos como maior recordista de largadas, quando superou o italiano Riccardo Patrese, que disputou 256 GP`s, Rubinho alcança a terceira centena.

Barrichello estreou na África do Sul, em 1993, pela Jordan. A melhor colocação do piloto paulista foi o 5º lugar no Japão, debaixo de chuva, uma das especialidades do brasileiro. Em Donington, 3ª etapa, Rubinho, assim como Ayrton Senna, andou muito e chegou a estar em 2º lugar, mas abandonou nas voltas finais, quando era 3º colocado.

Pela escuderia irlandesa, disputou quatro temporadas, tendo como melhor resultado o 2º lugar, no Canadá, em 1995, na única vitória do francês Jean Alesi na Fórmula 1, e uma pole, na Bélgica, em 1994. Na Stewart, ficou durante três anos, tendo novamente uma 2ª posição como atuação mais expressiva, em Mônaco, 1997, em corrida debaixo de chuva. Em 1999, conseguiu a única pole pela equipe escocesa, na França.

Em 2000, chegou a um dos lugares mais cobiçados por grande parte dos pilotos da categoria, uma vaga na Ferrari. Pelo time de Maranello, Rubinho conseguiu os melhores resultados, vice-campeão em 2002 e 2004, nove vitórias e o mesmo número de poles, viveu os melhores e piores momentos na carreira. Em 2001, quando era vice-líver, e, no ano seguinte, quando ganharia a corrida, freou na última curva, cedendo a posição para o então companheiro de equipe Michael Schumacher, primeiro piloto e favorecido pela equipe.

GP da Alemanha, em 2000 - Primeira vitória de Barrichello na Fórmula 1



GP da Áustria, em 2002 - Rubinho cede a vitória para Schumacher na reta final



Depois de seis anos no "cavalino rampante", foi para a Honda, onde correu ao lado de Jenson Button durante três temporadas. Em 2008, na Inglaterra, novamente na chuva, Rubinho teve uma atuação de gala, levando o limitado bólido japonês ao 3º lugar.

Para 2009, após a saída da montadora nipônica, Ross Brawn ficou com os espólios da Honda e fundou a Brawn GP, grande sensação do ano. Os pilotos foram mantidos. A novata ficou com os títulos de pilotos, Jenson Button, e de construtores. Na equipe do ex-diretor da Ferrari, Rubinho garantiu a 100ª vitória brasileira, em Valência. Em Monza, conquistou o 2º triunfo no ano, terminando o campeonato em 3º lugar, superado também por Sebastian Vettel, da Red Bull.

A escuderia de Ross Brawn durou apenas um ano, sendo comprada pela Mercedes em novembro de 2009. Barrichello foi para a Williams, e Jenson Button, para a McLaren. Para a escuderia alemã, foram contratados Michael Schumacher e Nico Rosberg.

Em menos de um ano no time de Grove, Rubinho conseguiu a 4ª colocação em Valência, até o momento o melhor resultado do brasileiro.

A carreira de Rubens Barrichello na Fórmula 1:
1993: Jordan Hart, 17º lugar, com 2 pontos;
1994: Jordan Hart, 6º lugar, com 19 pontos, 1 pole;
1995: Jordan Peugeot, 11º lugar, com 11 pontos;
1996: Jordan Peugeot, 8º lugar, com 14 pontos;
1997: Stewart Ford, 13º lugar, com 6 pontos;
1998: Stewart Ford, 12º lugar, com 4 pontos;
1999: Stewart Ford, 7º lugar, com 21 pontos, 1 pole;
2000: Ferrari, 4º lugar, com 62 pontos, 1 pole, 1 vitória;
2001: Ferrari, 3º lugar, com 56 pontos;
2002: Ferrari, Vice-Campeão, com 77 pontos, 3 poles, 3 vitórias;
2003: Ferrari, 4º lugar, com 65 pontos, 3 poles, 2 vitórias;
2004: Ferrari, Vice-Campeão, com 114 pontos, 4 poles, 2 vitórias;
2005: Ferrari, 8º lugar, com 38 pontos;
2006: Honda, 7º lugar, com 30 pontos;
2007: Honda;
2008: Honda, 14º lugar, com 11 pontos;
2009: Brawn Mercedes, 3º lugar, com 77 pontos, 1 pole, 2 vitórias;
2010: Williams Cosworth, 30 pontos*;

* Até o Grande Prêmio da Hungria.

Entrevista com Anésio Hammes

Anésio Hammes
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 08/08/2010

Diego: Nas duas eleições anteriores, o partido lançou candidaturas com Antônio Bello, em 2002, e Sontag, em 2006, conseguindo em ambas, o 4º lugar, enquanto neste pleito, optou por uma aliança com o PT, em torno da candidatura Ideli Salvatti. Por que a sigla escolheu integrar uma aliança com os petistas, deixando de lançar candidatura própria?

Anésio: Vou me retratar primeiro com a eleição do Bello, em 2002, e do Sontag, em 2006. Em 2002, o Bello foi lançado candidato e o partido nunca havia, até então, lançado um candidato a eleição majoritária a governador do estado. Isso faz com que o partido cresça em todos os níveis, lançando candidato a governador, senador, deputado estadual e toda a chapa completa. A Ideli Salvatti, na verdade, é uma questão do presidente estadual do PSB, Djalma Berger, hoje o prefeito de São José. Ele fez essa aliança, no meu entendimento, sem ouvir a agremiação a nível estadual. Eu acredito que para fazer uma aliança, o partido tem que ser ouvido em um todo. Os diretórios do estado deverão ser convocados para então fazer uma aliança com quem ficar decidido, a nível estadual. Todos eles deverão se manifestar, o que não foi feito na gestão do Djalma Berger. Então, acredito que a sigla não aprovou em nível estadual, embora o PSB sempre foi um parceiro a nível nacional junto com o PT, mas isso não quer dizer que no estado, ele tenham que estar aliados, agora, acho que deveria ter sido feita uma consulta a nível estadual, para saber qual seria o partido da coligação.

Diego: O ingresso de Djalma Berger na sigla deu maior representatividade ao PSB, sendo escolhido prefeito de São José, em 2008. Até que ponto a eleição de Djalma contribuiu para a agremiação socialista?

Anésio: A eleição do Djalma Berger, até certo ponto, tem contribuído para a agremiação socialista, mas eu acredito que está sendo dirigid, a nível estadual, no meu entendimento, ele não cresceu até esse ponto, continuando como estava antes. As siglas, em nível municipal, continuam as mesmas, a exceção de algumas, e a maioria que foi trocada. Nos municípios, foram trocadas por ele, desrespeitando as composições já existentes. Eu citar como exemplo uma comissão provisória, em Águas Mornas, que sequer o presidente municipal foi consultado. Quando ele soube, havia sido destituído. Eu acredito que a administração de Djalma Berger tem que mudar, trabalhando mais nas bases municipais, não só a nível municipal, onde ele é prefeito, porque até em São José, o partido hoje está sem comando. Nós tínhamos um diretório, legitimamente formado, e hoje, nem uma provisória nós temos. O diretório venceu, em setembro de 2009, foi prorrogado por mais três meses, se não me falha a memória, e depois não foi feito o congresso, como pede o estatuto partidário, e também não foi constituída, portanto, o PSB de São José, legalmente não existe.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Entrevista com Dércio Knop

Dércio Knop
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 15/07/2010

Diego: Aliado do PT durante quase 10 anos, tanto na esfera estadual, como em muitos municípios, chegando a integrar o governo Lula nos dois primeiros anos de governo, rompeu com os petistase aliou-se com o PSDB e o DEM, que defendem ideais diferentes do socialista. De que forma foi feito o acordo com democratas e peesedebistas?

Dércio: Esse entendimento vem desde o início do segundo governo Lula. Os partidos atuaram conjuntamente na oposição ao governo Lula, e, em face desse trabalho conjunto, começaram também a desenvolver tentativas para que esses partidos estivessem juntos na disputa pela presidência da república, e isto fez também com que houvesse reflexo na maioria dos estados, até por que a direção nacional do PPS baixou uma resolução, a de número 1/2010, determinando que a sigla, em cada estado, devesse estar junto com os partidos que integram o apoio ao candidato José Serra, e, consequentemente essa determinação, estamos juntos aqui, não apenas com o DEM e o PSDB, mas também com o PMDB, o PTB, enfim, mais nove partidos, que fazem hoje a coligação As pessoas em primeiro lugar.

Diego: O PPS, em nível estadual, teve apenas duas grandes candidaturas, com Sérgio Grando, para o senado, em 1998, aliado a Milton Mendes, e, em 2002, pela chapa Frente Ecológica Popular, como candidato ao governo. Por que o partido não lançou mais candidaturas à majoritária?

Dércio: Infelizmente, os custos de uma eleição majoritária são incompatíveis com o tamanho do nosso partido. Nós temos, uma liderança que é muito expressiva, o deputado federal Fernando Coruja, nosso presidente estadual, e também líder da bancada na câmara dos deputados. Certamente seria um bom nome, no entanto, os custos, principalmente da área de marketing e de televisão, são proibitivos para uma agremiação do porte do PPS. Por isso, nós temos que nos submeter às maiores siglas, que têm mais possibilidade de bancar essas despesas de campanha.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mercedes busca hegemonia entre os motores

Campeã de pilotos com a McLaren, em 2008, na final decisiva, quando Lewis Hamilton superou Felipe Massa por apenas um ponto, e ano passado, entre competidores, com Jenson Button, e de construtores, com a Brawn, a Mercedes busca manter a hegemonia entre os motores.

Comercial da Mercedes: 2009
Material retirado do blog de Flávio Gomes, colunista do IG - Grande Prêmio
Disponível em: Coluna Namorico, de 27/10/2009

As expectativas em torno da equipe de fábrica eram grandes após a aquisição da Brawn, além da contratação de Michael Schumacher, o maior campeão da história da Fórmula 1, a marca das três pontas esperava muito da atual temporada, mas vem sendo superada por Red Bull, Ferrari e McLaren, sócia da montadora alemã até o final do próximo ano.

Michael Schumacher testando com a Mercedes
Foto retirada do blog de Walter Savaglia

Mesmo sem o melhor carro, a escuderia de Woking segue firme na disputa pelo título, entre pilotos e construtores, devido também a confiabilidade dos propulsores Mercedes. Ofuscado durante anos pela superioridade da Ferrari e pela boa fase da Renault, a marca alemã sofreu muito com os problemas de durabilidade no início da década, mas, desde 2007, vem disputando títulos, além de superar a maior fragilidade ao longo de temporadas, que eram os contantes problemas com os motores.

Jenson Button testando com a McLaren
Foto retirada do blog de Walter Savaglia

Neste ano, com a Mercedes, nenhum abandono por quebra de motor, enquanto na McLaren, apenas duas vezes, uma com Lewis Hamilton, na Hungria, e outra com Jenson Button, em Mônaco, por um descuido da equipe inglesa.

Com o time principal fora da disputa pelo título, a montadora germânica deposita as esperanças na McLaren, parceira desde 1995. A regularidade de Button e Hamilton, além de ambos não estarem envolvidos em conflitos internos, vêm ajudando para mantê-los na luta pelo título. O motor, que muitas vezes deixou o time inglês no meio do caminho, vem sendo o principal aliado neste ano.

Faltando sete etapas para o encerramento do campeonato, a Mercedes ocupa a 7ª colocação, com Nico Rosberg, 94 pontos, e Michael Schumacher, 38 pontos, em 9º lugar, sendo a 4ª colocada entre as equipes, com 132 pontos, enquanto a McLaren ocupa a vice-liderança, com Hamilton, 157 pontos, a 4ª posição, com Jenson Button, 147 pontos, em 2º lugar no campeonato de construtores, com 304 pontos.

Entrevista com Paulo César Wilpert

Paulo César Wilpert
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 06/07/2010

Diego: O grupo é formado, basicamente, por ex-integrantes do PT, insatisfeitos com os rumos tomados quando chegaram ao poder, em 2002, diante dos casos de corrupção, tanto condenados quando os petistas eram oposição, além de alianças com antigos adversários políticos. Como o PSOL está buscando espaço no cenário eleitoral?

Paulo: Primeiro, o envolvimento com os movimentos sociais. Nenhum partido de esquerda, que queira estar envolvido com as lutas do povo, não tem que pensar somente em eleição. Na verdade, é um momento, uma fase da vida do partido. Ele tem que estar bem encharcado, com o povo, envolvido diretamente com as lutas populares. É dessa forma, e utilizando os espaços, como este agora, da eleição, para fazer o debate com a sociedade, e mostrar que nenhum partido consegue realmente representar o povo, se não estiver envolvido com o povo.

Diego: Além do pouco espaço na mídia, os partidos de oposição, de pouca representatividade, há as dificuldades de chegar a um acordo na formação de uma aliança, no caso do PSOL, as agremiações do PSTU e PCB, mais alinhadas com os ideais socialistas. Quais fatores dificultam acordos com as associações citadas?

Paulo: Com o PSTU, que é um aliado histórico, nós temos alianças na luta sindical. Já fizemos a frente de esquerda com eles. E com o PCB, não é programática, é meramente pragmática. O PSTU apresentou para nós uma proposta, por exemplo, na eleição de 2008, para prefeito, na formação da chapa, que não condizia com a realidade. Nós tínhamos um partido com menos tempo de formação, e ofereceríamos mais candidatos em detrimento de que eles ofereciam menos candidatos, e, mesmo assim, eles queriam metade do tempo. Agora, especificamente nesta eleição, eles não quiseram se coligar conosco, alegando que nós buscamos outras alianças, com outros partidos, o que na nossa opinião, é pífio, porque, como um partido de esquerda precisa e falei anteriormente, estar envolvido na luta do povo, mas precisamos conversar com outros segmentos sim, desde que eles tenham convencimento programático. Com o PCB, a questão foi menos programática, e foi mais no campo da tática. Eles avaliaram que teriam um candidato em potencial, em um determinado estado, e queriam exclusividade de tempo, e que, para nós, como temos um tempo pequeno na televisão, e se não utilizamos ele para fazer o debate e divulgarmos as nossas propostas, fica complicado.

domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista com Sargento Amauri Soares

Sargento Amauri Soares
Foto: Diego Wendhausen Passos

Data da entrevista: 06/07/2010

Diego: Com três alternativas a seguir, dentre elas uma aliança com o PT, a candidatura própria ou um acordo com o PP, a sigla escolheu ficar ao lado da agremiação progressista, depois de integrar a base governista. Qual a razão da opção de um acordo com os pepistas, grupo contrário ao governo?

Sargento Soares: Não sei. Nós tínhamos colocado nosso nome à disposição do partido para ser candidato a governador, sacrificando inclusive a vaga e o processo a deputado estadual. Infelizmente, a sigla rejeitou a candidatura própria, embora não tenha firmado e nem votado isso, acabou por rejeitar e resolveu sair coligado com uma agremiação que representa historicamente, parte da representação da oligarquia e da grande burguesia no estado de Santa Catarina, de forma que eu não tenho explicação, a não ser o crescimento de uma linha fisiológica dentro do PDT, quanto ao evidente, nós não concordamos.

Diego: Em nível nacional, os pedetistas fecharam acordo com a candidata petista Dilma Rousseff, enquanto fecharam com Ângela Amin em nível estadual, adversária de Ideli Salvatti. Por que a sigla não se aliou com o PT em Santa Catarina?

Sargento Soares: Na mesma linha, porque tem a posição nacional, que está com a Dilma, e aqui no estado, o correto seria estar com a candidatura mais alinhada com a candidatura petista, e não estou nem entrando em mérito se concordo ou discordo dessa posição, mas, por coerência, deveria ser isso, mas parece que o encanto, em torno de possibilidade de participação em um futuro governo, como vice, e parece que visam, majoritariamente, no PDT, que a Ângela Amin tem mais chance de ganhar, acabaram optando por isso. Eu acho que está incorreto. A decisão, na minha avaliação, não foi tomada pelo espaço democrático, foi por algumas pessoas, dentro de sala fechada. A convenção do partido não decidiu isso, portanto, a própria legitimidade dessa decisão, na minha avaliação, está equivocada. Nós queríamos a candidatura própria, para defender um projeto para a classe trabalhadora, servidores públicos, bases da sociedade catarinense. Isso nós queríamos, buscamos construir ao longo de 50 dias. Não tivemos êxito dentro da sigla, ainda não sabemos o que fazer, com relação ao governo do estado. Do meu ponto de vista pessoal, ainda não sei o que fazer com relação ao governo do estado, uma vez que o partido tomou a posição, não só diferente, inclusive oposta daquilo que estávamos buscando, construir com a candidatura própria, com o meu nome como candidato a governador.